Com Lula e Alckmin, PT oficializa Haddad ao governo de SP e nacionaliza disputa
Em ato histórico em Campinas, frente ampla liderada por Lula consolida Fernando Haddad para o Palácio dos Bandeirantes e une Marina Silva e Simone Tebet em projeto de reconstrução estadual.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O cenário político de São Paulo ganhou contornos de decisão nacional neste sábado (25), com a oficialização da candidatura de Fernando Haddad (PT) ao Governo do Estado. Realizada na Arena Concórdia, em Campinas, a convenção estadual do PT não foi apenas um evento regional, mas uma demonstração de força da coalizão que governa o Brasil. Com as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin, o partido selou uma chapa de peso que traz o ex-ministro Márcio França (PSB) na vice e as ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB/PSB) como candidatas ao Senado.
A escolha de Campinas para o anúncio oficial carrega um simbolismo estratégico: a interiorização do projeto que busca “devolver São Paulo aos paulistas”. Ao nacionalizar a disputa, Lula vinculou diretamente a gestão federal aos avanços que pretende levar ao Palácio dos Bandeirantes. “Poucas vezes na história vimos uma chapa com tamanha qualidade e história”, pontuou o presidente em seu discurso, ao exaltar o companheirismo de Haddad e a capacidade de diálogo de uma frente que reúne sete partidos (PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSOL e Rede).
Fernando Haddad, que até março comandava o Ministério da Fazenda, estruturou seu discurso no contraste entre o crescimento econômico do país e a letargia do estado sob a atual gestão. O candidato destacou que, enquanto o Brasil sob o governo Lula cresceu 2% nos últimos 12 meses, São Paulo avançou apenas 0,4%, criticando o que chamou de “desleixo” com as políticas públicas estaduais. Haddad posicionou sua candidatura como uma alternativa de desenvolvimento sustentável, alinhada aos investimentos federais que já somam bilhões em saúde e educação.
A formação da chapa “dos sonhos” da esquerda paulista é vista por analistas como o movimento decisivo para tentar liquidar a fatura presidencial ainda no primeiro turno. A estratégia do comando petista é clara: uma vitória expressiva de Lula no maior colégio eleitoral do país, impulsionada pelo recall positivo de Haddad e Alckmin, pode ser o fiel da balança para garantir a reeleição nacional e levar a disputa estadual para um segundo turno vitorioso contra o atual governador.
O evento foi encerrado sob um clima de otimismo e união, com Marina Silva e Simone Tebet reforçando o papel de São Paulo como a “força motora” da democracia brasileira. Para os apoiadores presentes, a convenção de Campinas marcou o início de uma caminhada cívica que pretende integrar São Paulo ao ciclo de prosperidade federal, consolidando uma aliança que prioriza o respeito institucional e a reconstrução social acima das polarizações vazias.
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