Mudanças climáticas já atingem 85% da população brasileira, aponta pesquisa
Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil
Levantamento revela aumento do custo de vida, problemas de saúde e dificuldades no trabalho como principais efeitos da crise climática percebidos pela população.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – As mudanças climáticas já provocam impactos diretos na rotina da maioria dos brasileiros. Pesquisa inédita obtida pela Agência Brasil aponta que 85% da população afirmam perceber efeitos da crise climática em seu cotidiano, enquanto quase metade dos entrevistados (46%) considera esses impactos intensos.
O levantamento foi realizado pelo Aurora Lab em parceria com a More in Common e será apresentado oficialmente na próxima quarta-feira (27), em São Paulo, durante o encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”. O estudo ouviu 2.630 pessoas com 16 anos ou mais em nove capitais brasileiras entre maio e setembro de 2025.
Principais impactos percebidos pela população
Entre os principais reflexos atribuídos às mudanças climáticas estão:
- aumento do custo de vida – 53%;
- problemas de saúde física – 45%;
- dificuldades de acesso ao trabalho – 40%;
- adoecimento mental – 32%;
- perda de renda – 17%;
- perda de emprego – 10%.
Os dados reforçam a percepção crescente de que os efeitos da crise climática já ultrapassam o campo ambiental e atingem diretamente a economia, a saúde pública e as relações de trabalho.
Governo é apontado como principal responsável
A pesquisa mostra ainda que a maioria da população defende uma atuação mais forte do Estado diante dos efeitos da crise climática sobre o mercado de trabalho. Para 67% dos entrevistados, cabe ao governo liderar ações de proteção aos trabalhadores durante o processo de transição energética.
Outros setores foram menos citados:
- empregadores – 7%;
- grupos organizados da sociedade civil – menos de 6%.
A diretora-executiva do Aurora Lab, Gabriela Vuolo, avaliou que o resultado chama atenção pela baixa responsabilização do setor empresarial diante dos impactos climáticos.
Segundo ela, eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes, exigindo participação mais ativa das empresas na proteção aos trabalhadores.
Consciência climática cresce no país
O estudo também revela elevado grau de conscientização sobre a necessidade de mudanças estruturais nos modelos de produção e consumo.
Os principais indicadores apontam que:
- 93% acreditam que a sociedade precisa mudar hábitos e modelos produtivos;
- 74% concordam totalmente com essa necessidade;
- 67% acreditam que a transição energética poderá gerar empregos;
- apenas 10% avaliam que haverá redução de vagas de trabalho.
Quando questionados sobre desigualdade social:
- 45% acreditam que a transição energética poderá reduzir desigualdades;
- 23% avaliam que as desigualdades poderão aumentar;
- 17% acreditam que o cenário permanecerá igual.
Ciência mantém alta credibilidade
Mesmo em meio à disseminação de desinformação nas redes sociais, universidades e cientistas continuam sendo as instituições com maior credibilidade para os brasileiros quando o assunto é clima.
Segundo a pesquisa:
- 69% confiam prioritariamente na ciência e nas universidades;
- 65% utilizam as redes sociais como principal fonte de informação sobre clima.
As entrevistas foram realizadas nas capitais Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
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