Edir Macedo, bispo da Igreja Universal e controlador do Banco Digimais. Foto Reprodução.
Deflagrada em 18 de junho, a Operação Mercadores revelou rede de lavagem de dinheiro e investimentos em terras protegidas; bloqueio judicial estrangula liquidez do Banco Digimais.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O cerco da Polícia Federal (PF) ao Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, expôs uma rede de fraudes que coloca a instituição financeira em risco iminente de colapso. Deflagrada no último dia 18 de junho, a Operação Mercadores resultou no bloqueio de R$ 670 milhões em ativos, sob a suspeita de crimes graves contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro. O cenário agravou-se com o rebaixamento da nota de crédito da instituição pela agência Fitch Ratings, que agora classifica a operação como de alto risco, beirando a insolvência.
A investigação aponta que a “multiplicação das fraudes” envolve desde operações triangulares de crédito até o financiamento de empreendimentos irregulares em áreas sensíveis. De acordo com o inquérito da Operação Mercadores, o banco teria investido pesadamente em fundos imobiliários que financiam projetos sem licença ambiental e localizados em terras protegidas, incluindo territórios indígenas e quilombolas. Essa prática, além de ferir normas rígidas do Banco Central, expõe a fragilidade extrema dos controles internos da instituição ligada à cúpula da Igreja Universal.
O bloqueio de R$ 670 milhões é visto por analistas como um golpe fatal na liquidez do banco. Ao justificar o rebaixamento da nota, a Fitch Ratings destacou que a pressão regulatória e o envolvimento em escândalos criminais criam um ambiente de desconfiança que afasta investidores e correntistas. Na prática, a instituição enfrenta o chamado “risco de quebra”, uma vez que o montante congelado pela Justiça compromete as garantias mínimas de funcionamento exigidas para qualquer banco operar no Brasil.
O esquema investigado pela PF sugere que a estrutura do banco foi utilizada para ocultar a origem de recursos através de uma rede complexa de operadores financeiros. Relatórios indicam que o Digimais (antigo Banco Renner) operava com uma agressividade atípica, ignorando protocolos de conformidade para viabilizar projetos em terras invadidas. O resultado é um acúmulo de passivos jurídicos e ambientais que podem acelerar o fechamento das portas da instituição em curto prazo.
Até o momento, a defesa da instituição e os representantes do bispo Edir Macedo têm evitado declarações detalhadas sobre o mérito das acusações de lavagem de dinheiro. Enquanto isso, o Banco Central monitora a situação para garantir que o possível colapso do Digimais não gere instabilidade sistêmica, embora o risco atual esteja concentrado na própria solvência da marca controlada pelo líder religioso.
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