Em tom pedagógico, Jerônimo expõe falhas de Otoniel na saúde 90% da demanda é da prefeitura
Durante reunião na CDL, governador manteve elegância ao cobrar eficiência na atenção básica; vídeo registra prefeito Otoniel Teixeira constrangido e evitando contato visual diante de empresários.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O governador Jerônimo Rodrigues (PT) utilizou um tom técnico, porém pedagógico e respeitoso, para expor o que considera uma falha crítica na gestão do prefeito de Barreiras, Otoniel Teixeira (União). Durante reunião na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) nesta quinta-feira (25), Jerônimo afirmou que a ineficiência da rede municipal de saúde é a principal causa da superlotação hospitalar no Oeste. Segundo o governador, 90% dos pacientes que hoje buscam hospitais estaduais de alta complexidade deveriam estar sendo atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou hospitais municipais.
Enquanto Jerônimo gesticulava de forma firme, mas educada, o prefeito Otoniel Teixeira foi registrado em vídeo visivelmente desconfortável. O gestor municipal manteve uma postura defensiva: olhar fixo ao longe, as vezes para baixo, evitando qualquer contato visual com o governador, e mãos inquietas – sinais clássicos de constrangimento público diante de um “enquadro” administrativo. Em um dos momentos mais enfáticos, Jerônimo pontuou:
“Não era pra estar lá [no hospital estadual]. Era pra estar em uma UBS, em um posto de saúde, ou em um hospital municipal. Esse é o debate que a gente não joga no colo do prefeito, mas é o que o prefeito tem que fazer. 90%! Se não estivesse lá, esqueça. Não precisava da regulação. Nós tratávamos aí alta complexidade. Olha a cara do prefeito.”
Reincidência e a Oferta de Ajuda

A cobrança atual não é um fato isolado. De acordo com o Portal Caso de Política, em julho de 2025, Jerônimo já havia feito um alerta idêntico sobre o colapso da atenção básica em Barreiras. Naquela ocasião, a matéria revelou que a falta de médicos e medicamentos nos postos de saúde municipais estava “estrangulando” o Hospital do Oeste (HO). Otoniel, na época, tentou desviar do assunto com falas genéricas, ignorando que o governador se colocou formalmente à disposição do município para ajudar a estruturar a rede básica. No entanto, a oferta de cooperação técnica foi preterida pela escolha do prefeito em seguir um caminho de auto-isolamento institucional, o que agravou a crise na regulação.
Investimentos Estaduais e a Inércia Municipal
O contraste entre as esferas de governo é nítido nas ações documentadas. Além da manutenção da Policlínica Regional e da ampliação do Hospital do Oeste, o governo Jerônimo realizou entregas estruturantes recentes: em 20 de dezembro de 2025, foram entregues 500 casas no Residencial Solar Barreiras e o asfalto do Cantinho ao Senhor dos Aflitos. Entretanto, o governador destacou que o esforço estadual na saúde é desperdiçado quando o município não cumpre sua parte. A própria população do Solar Barreiras exemplifica essa lacuna, cobrando da prefeitura unidades de saúde e segurança comunitária que acompanhem o crescimento habitacional financiado pelo Estado.
Análise Política: O custo do silêncio
A postura de Jerônimo na CDL foi a de um líder que domina os números e usa a diplomacia para expor a omissão. Ao dizer que o debate “não é jogado no colo do prefeito, mas é o que ele tem que fazer”, Jerônimo isolou Otoniel politicamente em sua própria ineficiência. Para o empresariado, a imagem que ficou foi a de um gestor municipal que, por questões partidárias, recusa o auxílio do Estado e agora não possui argumentos técnicos para rebater as evidências de que a prefeitura de Barreiras está “empurrando” suas obrigações para o orçamento estadual.
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