Michelle e Flávio Bolsonaro disputam o comando da direita para 2026 e 2030
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Ex-primeira-dama avança sobre eleitorado feminino e evangélico enquanto declarações sobre joias e planos eleitorais evidenciam racha com o filho “zero um” do ex-presidente.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A disputa pelo espólio político de Jair Bolsonaro (PL) deixou os bastidores e se tornou pública, colocando Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro em campos opostos. O projeto que projeta a ex-primeira-dama para a eleição presidencial de 2030 parece depender, estrategicamente, de um enfraquecimento de Flávio em 2026. Analistas apontam que a viabilidade de Michelle como líder isolada do movimento passa pela necessidade de desbancar a influência dos filhos do ex-presidente na condução do partido.
A tensão escalou após Michelle declarar, em vídeo recente, que “contou quase tudo” em seu depoimento à Polícia Federal sobre o caso das joias sauditas. A frase foi recebida pelo entorno do senador como uma mensagem cifrada e um movimento de autoproteção que pode isolar outros membros da família em investigações futuras. O episódio aprofunda um histórico de sete divergências centrais entre os dois, que vão desde episódios de humilhação pública até a disputa pelo aval final de Jair Bolsonaro para decisões partidárias.
No campo eleitoral, Michelle tem sido utilizada pelo PL como o principal antídoto para a rejeição que o bolsonarismo enfrenta em fatias específicas da sociedade. Enquanto Flávio demonstra dificuldade de interlocução com mulheres e setores evangélicos mais moderados, a ex-primeira-dama foca sua comunicação exatamente nesses grupos. O movimento é visto como um “test-drive” para 2030, onde ela assume o papel de herdeira do carisma do marido, ocupando espaços que os filhos de Bolsonaro não conseguiram consolidar.
A relação entre madrasta e enteado é marcada por uma queda de braço tática: para Michelle chegar forte em 2030, a hegemonia de Flávio no Rio de Janeiro e no Senado em 2026 precisa ser questionada. Por outro lado, o senador tenta manter o controle da estrutura política da família para evitar ser eclipsado pela ascensão da ex-primeira-dama. O desfecho dessa crise interna definirá quem terá a palavra final sobre o futuro da direita brasileira nos próximos ciclos eleitorais.
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