Vereador João Felipe 22062026
Em discurso contundente, vereador criticou proibição judicial de fiscalizar órgãos públicos, denunciou descaso com merenda escolar e classificou atual gestão como “política do muro baixo”.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O vereador João Felipe (PCdoB) utilizou a tribuna da Câmara de Barreiras nesta segunda-feira (22) para denunciar o que classificou como uma escalada autoritária da gestão do prefeito Otoniel Teixeira.
Alvo de restrições judiciais que o impedem de fiscalizar unidades de saúde e de um processo cível que pede R$ 30 mil em indenização, o parlamentar afirmou que as medidas são uma tentativa desesperada de silenciar as denúncias de colapso na administração municipal.
“A crítica foi feita no campo da política e assim continuarei fazendo. Se não aguenta escutar crítica, renuncie”, disparou João Felipe.
O processo movido pelo prefeito baseia-se em críticas proferidas pelo vereador em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde João Felipe utilizou termos como “medroso” e “cruel” para descrever a postura do gestor.
Segundo o parlamentar, o Judiciário já negou pedidos de liminar do prefeito que visavam obrigar a retirada de vídeos das redes sociais e o segredo de justiça no caso.
“O magistrado reconheceu que eu estava cumprindo minha função parlamentar. Não utilizei argumentos sobre a vida pessoal de ninguém; minha crítica é ao modelo de gestão desastroso”, pontuou.
João Felipe detalhou o cenário de precariedade que tenta fiscalizar, mas é impedido por uma ação movida pela prefeitura que o acusa de “invadir” áreas restritas. Segundo ele, enquanto o Executivo gasta energia com processos judiciais, o cotidiano da população é de abandono.
“Nossas crianças estão comendo cuscuz seco nas escolas por falta de merenda. As escolas voltaram ao tempo das rifas para conseguir fazer reparos básicos nos prédios, enquanto a zona rural está desassistida”, denunciou o vereador.
O discurso também trouxe à tona o contraste entre a falta de recursos para serviços essenciais e o inchaço da folha de pagamento. João Felipe citou casos de “servidores fantasmas” e a contratação de parentes de aliados políticos com salários superiores a R$ 5 mil, enquanto os trabalhadores da limpeza urbana e garis enfrentam condições precárias e lutam por um piso salarial.
O parlamentar utilizou a expressão “Barreiras do Muro Baixo” para definir a atual administração, referindo-se a uma política de pequena estatura que foca na perseguição pessoal em vez de solucionar os problemas da cidade.
Ao finalizar, o vereador conectou a pressão sofrida pelo Legislativo à tentativa de aprovação do empréstimo de R$ 140 milhões. Ele defendeu que o pacote de 22 emendas aprovado nesta segunda-feira é o caminho correto para garantir obras como a Casa do Autista e pavimentação asfáltica sem endividar o município.
“Estamos dando ao prefeito a condição de trabalhar com o orçamento que já existe. Se ele insiste no empréstimo e na perseguição, é porque teme que a verdade apareça”, encerrou.
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