Prefeitura de Barreiras prorroga contrato de pavimentação após executar apenas 3,86% do valor previsto 2
Extrato de termo aditivo publicado nesta terça-feira (30) mostra que contrato de R$ 2,1 milhões teve apenas R$ 81 mil executados em um ano; números confrontam a narrativa de que entraves no Legislativo impedem o avanço das obras municipais.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O Diário Oficial de Barreiras publicado nesta terça-feira (30/06/2026) trouxe o Primeiro Termo Aditivo ao Contrato nº 060/2025, documento que evidencia a baixa execução financeira de uma obra de pavimentação contratada pela Prefeitura. Segundo o extrato, dos R$ 2.100.000,00 previstos para a execução de pavimentação com bloquetes sextavados, apenas R$ 81.063,32 foram efetivamente executados durante o primeiro ano de vigência do contrato.

Os dados constantes do próprio aditivo mostram que a execução financeira alcançou 3,86% do valor contratado, permanecendo um saldo remanescente de R$ 2.018.936,68, equivalente a 96,14% dos recursos originalmente previstos.
O contrato foi firmado em 15 de maio de 2025 com a empresa LPR Construções e Empreendimentos Ltda., por meio do Processo Administrativo nº 10169/2024, para a execução de serviços de pavimentação em “diversas localidades” do município. O termo aditivo prorroga sua vigência por mais 12 meses.
Outro aspecto que chama atenção é o intervalo entre a formalização e a publicação do aditivo. O documento foi assinado em 29 de abril de 2026, com efeitos retroativos a 18 de maio de 2026, mas somente veio a público no Diário Oficial desta terça-feira (30). A prorrogação foi fundamentada em manifestação da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, sem que o extrato apresente as razões técnicas para a baixa execução do contrato ao longo do prazo originalmente previsto.
Discurso político confrontado pelos números
A baixa execução do Contrato nº 060/2025 ocorre em meio ao acirramento da relação entre o Executivo e o Legislativo de Barreiras.
Ao longo do primeiro semestre de 2026, integrantes da base política do prefeito Otoniel Teixeira passaram a atribuir à Câmara de Vereadores parte da responsabilidade pela demora na execução de ações da administração municipal, sustentando que o Legislativo estaria dificultando ou retardando projetos do Executivo.
O tema ganhou novo capítulo em 23 de junho de 2026, quando o presidente da Câmara, Yure Ramon, fez um pronunciamento direcionado ao prefeito durante sessão legislativa. Na tribuna, o vereador pediu que o chefe do Executivo “não terceirizasse o diálogo“ e afirmou que parlamentares vinham sendo responsabilizados, de forma recorrente, por problemas administrativos que, segundo ele, não decorriam da atuação da Câmara. Yure também ressaltou que o Legislativo havia aprovado projetos encaminhados pela Prefeitura e contestou a narrativa de que a Casa estaria impedindo o governo de executar suas ações.
Nesse contexto, os números do Contrato nº 060/2025 acrescentam um dado objetivo ao debate político. O documento demonstra que havia licitação concluída, empresa contratada, contrato vigente e recursos previstos para a execução da obra. Ainda assim, conforme os valores registrados no termo aditivo, apenas 3,86% do montante contratado foi executado durante o primeiro ano de vigência.
O aditivo, entretanto, não informa os fatores que levaram à baixa execução nem atribui responsabilidades pelas dificuldades encontradas. Os documentos públicos apenas registram que a maior parte dos recursos permaneceu sem utilização durante o prazo inicialmente estabelecido, circunstância que levou a administração municipal a prorrogar o contrato por mais um ano.
Transparência
Outro ponto observado no extrato diz respeito ao objeto do contrato. O documento informa apenas que as obras seriam executadas em “diversas localidades”, sem identificar quais bairros ou comunidades seriam contemplados.
A ausência desse detalhamento dificulta o acompanhamento da execução contratual pela população e limita o controle social sobre a aplicação dos recursos públicos destinados à pavimentação.
Com a prorrogação da vigência, mais de R$ 2 milhões permanecem disponíveis para execução das obras previstas no contrato.
O que mostram os números
- Contrato: nº 060/2025 (Processo Administrativo nº 10169/2024)
- Empresa contratada: LPR Construções e Empreendimentos Ltda.
- Valor contratado: R$ 2.100.000,00
- Valor executado (maio de 2025 a maio de 2026): R$ 81.063,32
- Saldo remanescente: R$ 2.018.936,68
- Execução financeira: 3,86%
- Saldo ainda não executado: 96,14%
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