Anvisa autoriza novos tratamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Novas autorizações permitem o uso de canetas autoinjetoras para lúpus a partir dos 5 anos e introduzem anticorpos monoclonais para adolescentes com esclerose múltipla.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Crianças e adolescentes brasileiros com lúpus e esclerose múltipla passam a contar com novas opções terapêuticas autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão, publicada nesta segunda-feira (20), libera o uso dos medicamentos belimumabe e ocrelizumabe para o público pediátrico, focando em frear o avanço de doenças autoimunes que, quando manifestadas precocemente, tendem a ser mais agressivas.
Para pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) a partir dos 5 anos, a principal novidade é a chegada do belimumabe em formato de caneta autoinjetora. Antes restrito à aplicação intravenosa em ambiente hospitalar, o medicamento agora pode ser administrado em casa, reduzindo o desgaste das famílias com deslocamentos e centros de infusão. Essa terapia é indicada como complemento para crianças que já tratam a doença com corticoides ou imunossupressores, mas que ainda sofrem com a alta atividade inflamatória que pode comprometer órgãos como rins e cérebro.
No caso da esclerose múltipla remitente-recorrente, a aprovação do ocrelizumabe atende adolescentes a partir de 12 anos (com mais de 40 kg). O fármaco atua como um anticorpo monoclonal que protege o sistema nervoso central, combatendo a inflamação que desgasta a bainha de mielina — a camada que protege os nervos. O diagnóstico antes dos 18 anos é considerado raro e severo, podendo causar fadiga extrema e perda de força, o que torna o acesso a tratamentos modernos essencial para evitar sequelas motoras ou visuais.
As medidas da Anvisa buscam humanizar o tratamento de condições crônicas. Enquanto o lúpus afeta cerca de 300 mil pessoas no Brasil e exige controle rigoroso para evitar o óbito em casos graves, a esclerose múltipla pediátrica impõe um desafio neurológico contínuo. Ao oferecer tecnologias como as canetas aplicadoras e anticorpos recombinantes, o objetivo é garantir que esses jovens consigam manter sua rotina com o máximo de autonomia e eficácia terapêutica possível.
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