Barreiras sedia pacto territorial pelo fim da violência contra as mulheres
Plenário da Câmara reúne dezenas de entidades em ato histórico para consolidar rede de proteção, cobrar investimentos federais e descentralizar o amparo às vítimas no Oeste baiano.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Proteger a vida das mulheres exige sair do papel, cruzar dados com a realidade dos territórios e unir forças institucionais e sociais. Foi com esse propósito que a Câmara Municipal de Barreiras abriu as portas do plenário para o lançamento do processo de construção coletiva do Pacto Territorial de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Bacia do Rio Grande.
O encontro articulou representantes de 14 municípios, unindo frentes de segurança pública, educação, órgãos estaduais e federais, conselhos de direitos e movimentos sociais. Mais do que uma solenidade burocrática, a mobilização nasceu da urgência de desenhar políticas integradas que alcancem desde os centros urbanos até as comunidades tradicionais e os rincões mais vulneráveis do Oeste baiano.
A articulação reuniu dezenas de vozes fundamentais para a rede de proteção regional, com destaque para a coordenação do Codeter (por Nilza Martins), a representação da Academia Barreirense de Letras (Marilde Guedes), coletivos sociais como o Flores do Cerrado (Taciana Carvalho), o meio acadêmico da Uneb (Emília Karla Amaral), além de instituições jurídicas e de segurança como a OAB Subseção Barreiras (Bárbara Mariani), a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, representada pela delegada Marília Rosa Matos) e a Ronda Maria da Penha (subtenente Ednalva Fernandes).
A pluralidade do pacto também se fez presente com a força das mulheres indígenas na figura da cacica Luciana Kiriri, o ativismo do CRAM (Thailane da Silva), o Conselho Municipal de Direitos da Mulher (Karlucia Macedo) e frentes de desenvolvimento econômico solidário e regional.
Durante os debates, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estelizabel de Souza, jogou luz sobre os desafios estruturais do país e colocou uma pauta concreta na mesa: a viabilidade de implantar uma unidade da Casa da Mulher Brasileira na região.
“Estamos fazendo um pacto territorial consistente, mas ainda precisamos fazer muito mais. O território precisa de uma Casa da Mulher Brasileira, existe a verba do governo federal disponível, e a orientação é que não haja nenhum território onde as mulheres não tenham a quem recorrer”, pontuou Estelizabel.
A estrutura da Casa da Mulher Brasileira é considerada um divisor de águas por concentrar em um só espaço serviços essenciais de acolhimento, escuta qualificada, apoio psicológico, jurídico e autonomia financeira, evitando que a vítima passe pela dolorosa rotina de peregrinar por diferentes órgãos para conseguir ajuda.
Entregue às autoridades presentes, um documento construído ao longo dos últimos anos sintetizou o clamor coletivo por investimentos permanentes em prevenção, proteção e garantia de direitos. A mensagem que ecoa do plenário em Barreiras é um recado direto à sociedade e ao poder público: o combate à violência de gênero não comporta ações isoladas; exige orçamento, capilaridade e, acima de tudo, um compromisso inegociável com a vida das mulheres.
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