Vereadora Delmah Pedra propoz debate sobre crise na Justiça na Câmara de Barreiras
Advogada e primeira secretária da Câmara, vereadora propôs debate que expôs crise na Justiça Federal e carência de juízes; sessão foi marcada por cobranças do vereador João Felipe.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Câmara de Barreiras transformou-se no tribunal da cidadania nesta terça-feira (01). Em uma iniciativa da vereadora Delmah Pedra – que aliou sua experiência como advogada ao mandato parlamentar -, a Tribuna Popular recebeu a diretoria da OAB Subseção Barreiras para um diagnóstico profundo sobre as dificuldades do Judiciário regional.
O encontro, presidido pela vereadora Carmélia da Mata, funcionou como um “termômetro” das tensões institucionais e da urgência por uma justiça mais célere para a população.
Proponente da sessão, Delmah Pedra utilizou sua visão técnica e política para pautar o debate. Para ela, a política e a advocacia são como os dois trilhos de uma ferrovia: precisam estar em perfeito paralelo para que o trem da cidadania não descarrile.
“Como advogada, sinto as dificuldades da classe; como vereadora, recebo o clamor de quem espera anos por uma sentença. Trazer a OAB para esta Casa é garantir que o conhecimento jurídico se una à força política para cobrar o que é de direito do nosso povo”, afirmou a primeira secretária.
A presidente da OAB Barreiras, Dra. Bárbara Mariani, apresentou um relatório contundente sobre as ações da entidade, que completa 45 anos em outubro. Ela classificou a situação da Justiça Federal como “colapsada” e detalhou o déficit de magistrados em comarcas como Santa Rita de Cássia e Formosa do Rio Preto.
Segundo Bárbara Mariani, a advocacia enfrenta hoje um “apagão” de servidores e juízes, exigindo uma união suprapartidária para pressionar o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
O embate: João Felipe questiona silêncio institucional

O clima de solenidade deu lugar a um dos momentos mais tensos da manhã quando o vereador e também advogado João Felipe fez uso da palavra. Ele criticou duramente o que chamou de “omissão” da Ordem diante de uma decisão judicial que restringiu sua atividade fiscalizatória parlamentar em órgãos municipais.
“Aonde esteve a OAB, subseção de Barreiras, quando um advogado, no exercício de um mandato popular, teve a sua atividade submetida a uma grave restrição? A minha casa legislativa se manifestou, mas a minha casa, OAB, se silenciou”, disparou João Felipe, completando que não pedia favores, mas coerência.
“Sabe quantas ligações recebi da OAB? Nenhuma. Quantas moções de solidariedade? Nenhuma. Eu não quero que a OAB tome partido do vereador, quero que tome o partido da democracia”.
Em resposta direta, a presidente Bárbara Mariani pontuou que a OAB não age por instinto ou amizade, mas por provocação técnica.
“A OAB não tem bola de cristal. O advogado está para a OAB como a OAB está para o advogado; é preciso formalizar as demandas. Não podemos incitar demandas de ofício sem ter acesso aos autos, sob o risco de sermos partidários. Nossa gestão tem lisura e coerência”, rebateu a presidente.
A audiência contou com plenário lotado por acadêmicos de Direito da UFOB, alunos do Colégio Militar e figuras históricas da advocacia, como o ex-presidente Dr. Alessandro Brandão e os conselheiros Dra. Bruna Rode e Dr. Delbo Corado. Também compuseram a mesa a vice-presidente da OAB, Dra. Lilian Castro, o secretário adjunto Dr. Paulo Santos e o tesoureiro Dr. Magno Gonçalves.
Ao encerrar os trabalhos, a vereadora Carmélia da Mata reforçou que o Legislativo é, por excelência, o espaço do contraditório.
“O debate é o oxigênio da democracia. Quem assume cargos públicos precisa estar pronto para o embate, pois é dele que nascem as soluções para a nossa Barreiras”, concluiu.
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