Superávit comercial salta 70,2% em outubro e chega a US$ 7 bilhões
Exportações somaram US$ 32 bilhões, impulsionadas pela soja, pelo petróleo e pelo minério de ferro; avanço das vendas à China contrasta com a forte retração dos embarques para os Estados Unidos.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7 bilhões em outubro de 2025, resultado 70,2% superior aos US$ 4,1 bilhões alcançados no mesmo mês do ano anterior. O saldo foi sustentado pelo crescimento de 9,1% das exportações, que totalizaram US$ 32 bilhões, enquanto as importações recuaram 0,8%, para US$ 25 bilhões. A corrente de comércio – soma das vendas e compras externas – atingiu US$ 57 bilhões, alta de 4,5%.
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China amplia compras enquanto vendas aos EUA recuam
O desempenho dos principais parceiros comerciais revela movimentos distintos. A China ampliou em 33,4% suas compras de produtos brasileiros, alcançando US$ 9,21 bilhões e concentrando 28,8% de tudo o que o país exportou no mês. Na direção oposta, os embarques para os Estados Unidos caíram 37,9% em valor e 33,4% em volume, passando de US$ 3,57 bilhões, em outubro de 2024, para US$ 2,22 bilhões. Com isso, a participação norte-americana nas exportações brasileiras recuou de 12,2% para 6,9%.
A retração ocorreu em meio às sobretaxas impostas pelo governo de Donald Trump, que atingiram diferentes segmentos da pauta exportadora brasileira. Embora os dados mensais não permitam atribuir toda a queda exclusivamente às barreiras comerciais, o recuo expressivo dos embarques evidencia a dimensão do desafio imposto ao relacionamento comercial entre os dois países.
Outros mercados também contribuíram para o resultado. As exportações para a América do Sul cresceram 12,6%, enquanto as vendas ao Mercosul avançaram 14,3%, somando US$ 2,49 bilhões. A União Europeia recebeu US$ 4,62 bilhões em produtos brasileiros, alta de 4,5%, e a África registrou crescimento de 28,2%, com compras de US$ 1,64 bilhão.
Soja, petróleo e minério sustentam as exportações
O avanço das vendas externas teve como principais pilares a agropecuária e a indústria extrativa. A primeira cresceu 21%, alcançando US$ 6,8 bilhões, com destaque para a soja em grão, que movimentou US$ 2,89 bilhões, alta de 42,7% em relação a outubro de 2024. O café somou US$ 1,52 bilhão, avanço de 16%, enquanto o milho alcançou US$ 1,36 bilhão, crescimento de 7%.
Na indústria extrativa, as exportações aumentaram 22%, totalizando US$ 7,7 bilhões. O petróleo bruto respondeu por US$ 4,01 bilhões, alta de 9%, enquanto o minério de ferro chegou a US$ 2,92 bilhões, crescimento de 29,5%. Já a indústria de transformação teve desempenho mais moderado, com avanço de 0,7% e vendas de US$ 17,3 bilhões. Nesse segmento, a carne bovina se destacou: as exportações cresceram 40,9%, alcançando US$ 1,78 bilhão.
O resultado positivo, porém, não foi uniforme. Produtos como açúcares e melaços, celulose, óleos combustíveis refinados e farelos de soja registraram retração nas vendas externas, mostrando que o crescimento ficou concentrado em determinadas cadeias produtivas.
Importações recuam, mas compras de máquinas avançam
Do lado das importações, a queda de 0,8% foi influenciada principalmente pela redução de 11,8% nas compras de combustíveis e lubrificantes, que somaram US$ 2,4 bilhões, e pelo recuo de 3,8% nos insumos intermediários, para US$ 15 bilhões.
Em sentido contrário, as aquisições de bens de capital cresceram 10,6%, alcançando US$ 3,6 bilhões, enquanto as de bens de consumo avançaram 9,6%, para US$ 4 bilhões. Entre os produtos importados, destacaram-se fertilizantes, óleos combustíveis e máquinas e motores não elétricos, cujas compras cresceram 37,5% em valor. O movimento indica uma composição desigual das importações, com redução em algumas categorias e expansão em outras.
A Ásia permaneceu como principal origem das compras brasileiras, com US$ 9,78 bilhões, seguida pela União Europeia, que forneceu US$ 4,42 bilhões, e pelos Estados Unidos, com US$ 3,98 bilhões.
Superávit acumulado recua em relação a 2024
Apesar do resultado expressivo de outubro, o saldo comercial acumulado entre janeiro e outubro de 2025 foi de US$ 52,4 bilhões, queda de 16,6% diante dos US$ 62,8 bilhões registrados no mesmo período de 2024. No intervalo, as exportações somaram US$ 289,7 bilhões, crescimento de 1,9%, enquanto as importações alcançaram US$ 237,3 bilhões, alta de 7,1%.
A corrente de comércio chegou a US$ 527,1 bilhões, avanço de 4,2% e recorde para o período. Entre os principais produtos exportados nos dez primeiros meses, a soja respondeu por US$ 40,2 bilhões e o petróleo bruto, por US$ 37,5 bilhões. O contraste entre o superávit mensal em forte expansão e a redução do saldo acumulado mostra que o bom desempenho de outubro ainda não reverteu a pressão exercida pelo crescimento mais acelerado das importações ao longo do ano.
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