
Fake news sobre o Pix atrasaram medidas de controle e abriram caminho para que o crime organizado lavasse dinheiro por meio de fintechs; Receita Federal anuncia nova norma para fechar brechas
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – As operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, realizadas nesta semana, reforçaram um alerta da Receita Federal: fintechs têm sido utilizadas pelo crime organizado para movimentar e lavar dinheiro. A informação foi divulgada em nota oficial publicada pela Agência Gov em 28 de agosto de 2025 (link aqui).
Segundo o órgão, a ausência de obrigações de transparência semelhantes às impostas aos bancos tradicionais abriu espaço para que organizações criminosas explorassem o sistema. “O crime organizado sabe disso e aproveita essa brecha para movimentar, ocultar e lavar seu dinheiro sujo”, afirmou a Receita.
Desinformação paralisou a norma
Em setembro de 2024, uma instrução normativa determinou que fintechs passariam a prestar as mesmas informações de movimentação financeira exigidas de bancos. A regra deveria entrar em vigor em janeiro de 2025, mas foi revogada diante de uma onda de fake news que espalhou a mentira de que o Pix seria taxado.
De acordo com a Receita, esse ataque de desinformação prejudicou o uso dos meios digitais de pagamento e atrasou a implementação de medidas fundamentais para combater atividades ilícitas. Um dos principais propagadores dessa narrativa foi o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que ajudou a disseminar a versão distorcida sobre a medida.
Nova instrução normativa
Agora, o governo editará uma nova norma, mais enxuta e didática, composta por apenas quatro artigos. O texto deixará claro que:
- O objetivo central é o combate ao crime organizado;
- Fintechs e instituições de pagamento terão as mesmas obrigações de transparência que os bancos, incluindo a apresentação da e-Financeira;
- As definições serão estritamente baseadas na Lei do Sistema de Pagamentos Brasileiro (Lei 12.865/2013);
- A norma terá vigência imediata após a publicação.
Combate à dedinformação
A Receita também fez um apelo à imprensa: “Contamos com a imprensa profissional para informar o público e proteger a população de pessoas sem escrúpulos e sem compromisso com a verdade”.
Com a nova regulamentação, o governo pretende fechar definitivamente as brechas exploradas pelo crime organizado e reduzir os impactos da desinformação sobre o sistema de pagamentos brasileiro.
Os nomes das operações realizadas nesta semana – Carbono Oculto, Quasar e Tank – carregam simbolismos relacionados ao objetivo de cada investigação. Carbono Oculto remete às movimentações financeiras invisíveis exploradas pelo crime organizado, enquanto Quasar simboliza a “luz” lançada sobre esquemas complexos e pouco perceptíveis. Já Tank, que significa “tanque” em inglês, sugere a força e a contundência das ações no combate às organizações criminosas.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
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