22% dos brasileiros já receberam oferta de compra de voto 62% não sabem como denunciar
Levantamento Ipsos-Ipec mostra que maioria da população não sabe como denunciar corrupção eleitoral; prefeitos e vereadores concentram maior parte das abordagens
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos-Ipec revelou que 22% dos brasileiros afirmam já ter recebido algum tipo de oferta para vender o voto em períodos eleitorais. O levantamento, encomendado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), também aponta que grande parte da população desconhece os canais de denúncia e não se sente segura para comunicar casos de corrupção eleitoral às autoridades.
Os dados foram divulgados no contexto da campanha “Voto não tem preço, tem consequências”, lançada pelo movimento para estimular denúncias relacionadas à compra de votos.
Segundo a pesquisa, os cargos municipais aparecem como os mais associados às tentativas de aliciamento eleitoral. Entre os entrevistados que afirmaram já ter recebido oferta, 59% citaram candidatos a vereador e 43% mencionaram prefeitos.
Percepção sobre compra de votos
O levantamento também avaliou a percepção da população sobre a frequência da compra de votos nos municípios brasileiros.
De acordo com os números:
Percepção dos entrevistados |
Percentual |
| A compra de votos acontece “sempre” |
39% |
| Acontece “frequentemente” ou “às vezes” |
30% |
| Já receberam oferta para vender o voto |
22% |
| Não sabem como denunciar |
62% |
| Não se sentem seguros para denunciar |
52% |
A socióloga Adelia Franceschini, consultora da pesquisa, afirmou que muitos brasileiros ainda associam a compra de votos apenas ao pagamento em dinheiro, deixando de identificar outras formas de benefício oferecidas durante campanhas eleitorais.
Segundo ela, práticas como oferta de consultas médicas, facilitação de acesso a benefícios sociais, festas, churrascos e outras vantagens pessoais também podem configurar corrupção eleitoral.
Nordeste apresenta maior índice
No recorte regional, o Nordeste apresentou o maior percentual de entrevistados que afirmaram já ter recebido proposta para vender o voto: 32%, dez pontos acima da média nacional.
O Sudeste registrou índice de 18%.
Para Chico Whitaker, cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, municípios menores tendem a apresentar maior incidência desse tipo de prática devido à dependência econômica de parte da população em relação às administrações municipais.
O que diz a legislação
A legislação eleitoral brasileira classifica a prática como “captação ilícita de sufrágio”, caracterizada por oferecer, prometer ou entregar qualquer tipo de vantagem ao eleitor em troca de voto, incluindo dinheiro, emprego, função pública, bens ou benefícios pessoais.
A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 8 de dezembro de 2025, com 2 mil entrevistas em 131 municípios brasileiros. O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#CompraDeVotos #Eleições #CorrupçãoEleitoral #Democracia #Nordeste #Pesquisa #Política #Brasil



