Audiência do Park Verde expõe "jogo de empurra" e crise na Infraestrutura e Zoonoses em Barreiras
Clima pesou após Secretário de Segurança sugerir que manadas de gado são “caso de polícia” e não da prefeitura; moradores confrontam desmonte da frota e alto índice de eutanásia animal.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A audiência pública realizada nesta segunda-feira (08) na Câmara Municipal de Barreiras, para discutir a situação do bairro Park Verde, foi marcada por um confronto direto entre moradores e o primeiro escalão do governo municipal.
O encontro, que deveria apresentar soluções para o abandono da infraestrutura, transformou-se em um “fogo cruzado” quando os representantes do Executivo utilizaram entraves burocráticos e falta de equipamentos para justificar a ausência de serviços essenciais, como a retirada de animais das ruas e a pavimentação.

O momento de maior tensão ocorreu durante o embate entre o representante da Associação de Moradores, Ricardo Lindenberg, e o Secretário de Segurança e Trânsito, Fábio Santana. Ao ser cobrado sobre os rebanhos que circulam livremente no bairro, Santana tentou transferir a responsabilidade para a esfera policial.
“Quanto à situação de manada de gado lá, aí é com a polícia. Tem que chamar, dar uma queixa na delegacia contra o dono. Não é a Zoonoses que vai tirar 10 ou 20 animais dali. O senhor está equivocado”, disparou o secretário.
Lindenberg rebateu imediatamente, exigindo objetividade:
“Eu não vim aqui ouvir limitações. No dia que um boi passar por cima de uma criança ou causar um acidente fatal na BR, de quem será a culpa? Queremos cronograma no papel, não apenas falas”.
Dilema da Zoonoses e Eutanásia
A saúde pública dominou parte das discussões com dados contundentes apresentados pela coordenadora da Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ), Andréa Manhese. Segundo ela, entre 2025 e 2026, foram realizadas 1.899 testagens para leishmaniose, resultando em 979 eutanásias. Andréa defendeu que a unidade segue a lei e não pode funcionar como abrigo para animais sadios.
“Nós não somos uma unidade de matar cachorro e gato, mas o animal sadio não pode ser recolhido se não for de competência, pois não temos meios para abrigar”, explicou, justificando ainda que o recolhimento de grandes animais ficou prejudicado por “carros quebrados”.
A carência de estrutura foi confrontada pela vereadora Dra. Graça Melo, que revelou que a Secretaria de Saúde possui R$ 26 milhões em caixa.
“É inadmissível a Zoonoses estar sucateada, com a frota reduzida de 15 para dois carros, enquanto há esse montante em conta. Os profissionais são competentes, mas falta condição de trabalho”, pontuou.
Infraestrutura e “Placas Fantasmas”
No campo da infraestrutura, o Secretário Bruno José admitiu que o loteamento, aceito em 2013, possui falhas estruturais de drenagem que agora sobrecarregam o município. Ele focou sua defesa nos entraves da nova Lei de Licitações, o que gerou indignação na plenária. Moradores citaram o perigo real na BA-455, onde o Secretário Fábio Santana admitiu ter instalado placas de quebra-molas, mas não os redutores físicos.
“Colocamos a placa primeiro para avisar, mas recuamos na instalação por dúvidas sobre a rodovia. Mas vamos colocar o mais rápido possível”, prometeu Fábio Santana.
A precariedade do transporte público também foi exposta. A vereadora Delma Pedra denunciou que ônibus não cumprem o final da linha, obrigando usuários a “implorar” por desembarque.
“Ninguém pode depender de ‘camaradagem’ de motorista. O trabalhador paga IPTU e exige dignidade”, afirmou.
A audiência foi encerrada pela presidente em exercício, Carmélia da Mata, com duras críticas ao prefeito Otoniel Teixeira.
“Existe um desmonte comprovado. Os secretários têm boa vontade, mas estão amarrados e sem autonomia por falta de gestão municipal. Cuidar dos lotes e da Zoonoses é prevenir gastos maiores na saúde pública”, concluiu.
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