a mordaça e a vida real
Em fala histórica, vereador denuncia proibição da prefeitura de fiscalizar órgãos públicos e revela que, enquanto governo gasta com ataques digitais, falta o básico para a população: “O que importa é a vida do povo”.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O clima de formalismo técnico da reunião entre a Prefeitura e a Câmara de Barreiras, realizada na manhã desta sexta-feira (07), foi rompido por um manifesto de indignação e coragem parlamentar. O vereador João Felipe “atravessou” a pauta orçamentária para confrontar o prefeito Otoniel Teixeira com a realidade nua e crua das ruas. Rejeitando parabenizações protocolares, Felipe denunciou estar sob uma “mordaça judicial” que tenta impedir seu trabalho de fiscalização, revelando um abismo entre o discurso de diálogo do Executivo e a prática administrativa.
“Eu não vou parabenizar o chefe do Executivo, os secretários que aqui estão… Deveria ser uma mesa comum, algo que tem que ser uma prática comum”, disparou o parlamentar, logo no início de sua intervenção.
João Felipe pontuou que o diálogo não pode ser uma via de mão única, denunciando que seu mandato é alvo de perseguição jurídica.
“Hoje eu sou vítima de uma ação judicial, de uma proibição covarde proposta pela Prefeitura Municipal de Barreiras, quando eu estava numa ação de fiscalização, numa tentativa de desvirtuar o trabalho do parlamentar”, desabafou.
O “silêncio ensurdecedor” da gestão
O vereador traçou um cenário de isolamento imposto pelo Paço Municipal, onde ofícios sobre transporte público e saúde são sistematicamente ignorados. João Felipe relatou que, mesmo agindo como ponte para trazer investimentos federais, esbarra na inércia local. Ele citou as tratativas com o ministro Alexandre Padilha para as obras do Hospital Eurico Dutra, que estão travadas por falta de vontade técnica da prefeitura.
“Até hoje eu aguardo, da sua equipe, a indicação de uma equipe técnica. Não é para ir lá comigo… mas para irmos ao Ministério da Saúde e apresentarmos o projeto. E eu não fui respondido até o momento”, cobrou o edil.
Para João Felipe, a omissão do Executivo não é apenas uma falha política, mas um atentado contra o cidadão que depende do serviço público. Ele criticou o uso da estrutura municipal para alimentar guerras de narrativas enquanto o essencial falta na ponta.
“Nessa guerra de contratar ou de ter pessoas colocando o povo contra os seus representantes… a disputa eleitoral é em 2028, é na urna. Mas acho que o que tem que ser colocado em xeque é a vida do povo barreirense, que é o que importa”, afirmou.
Analogia da dor: a fralda contra o clique
O momento de maior carga emocional foi quando o vereador contrastou a burocracia das leis com o drama humano. Enquanto o governo se preocupa com créditos adicionais e vetos, Felipe trouxe à mesa o desespero de quem não tem voz nos gabinetes.
“Hoje eu recebi uma mensagem de uma mãe que há dois meses não consegue retirar a fralda descartável do seu filho. Eu recebi mensagem de fornecedores que estão há meses sem receber. E até onde isso vai chegar?”, questionou.
A postura de João Felipe na reunião desta sexta-feira consolidou seu papel como um importante “para-choque” das demandas populares em Barreiras. Ao encerrar sua fala, ele exigiu que a prefeitura respeite a independência do Legislativo e cesse as tentativas de silenciamento judicial. Independente dos números e das atas, o recado do vereador foi claro: a política de Barreiras vive um novo momento, onde a “maquiagem” digital da gestão não consegue mais esconder as feridas de uma cidade que clama por respostas e humanidade.
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