O Lilás carregado na Câmara de Barreiras 03082026
No retorno do recesso parlamentar, a “sororidade” deu lugar ao acerto de contas; entre acusações de má-fé e defesa da honra, o primeiro embate do semestre expôs as vísceras de um legislativo em ebulição.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A retomada dos trabalhos na Câmara de Barreiras nesta segunda-feira (03) provou que o recesso parlamentar apenas serviu para manter as tensões em “banho-maria”. O cenário era, ironicamente, pintado de lilás – cor que simboliza o combate à violência contra a mulher.
No entanto, o que se viu no plenário foi um duelo de titãs femininas que transformou o debate de ideias em um campo de batalha pessoal e estratégico. O “quiproquó” entre as vereadoras Dicíola Baqueiro, Helena Braz (conhecida popularmente como Tetéia Chaves) e Carmélia da Mata revelou que, na política local, o tom de voz e a narrativa de bastidor pesam tanto quanto o voto.
O grito de Dicíola: A ética como escudo
A vereadora Dicíola Baqueiro abriu o flanco com um discurso carregado de simbolismo e humanidade. Visivelmente atingida por ofensas proferidas na sessão de 13 de julho, Dicíola tentou limpar o “manto” de sua trajetória de 37 anos de serviço público das manchas de adjetivos como “malandra” e “mentirosa”.
Sua fala foi uma tentativa de resgatar o decoro, utilizando a analogia de que o insulto é a arma de quem não tem razão. Ao evocar sua história no IFBA e na UNEB, a parlamentar buscou se descolar da “política baixa”, mas acabou por subir a temperatura ao cobrar uma etiqueta parlamentar que parece estar em falta no estoque do Legislativo, mirando diretamente a condução de Tetéia Chaves na sessão antes do recesso de meio de ano.
A réplica de Tetéia: O sistema contra a palavra
O contra-ataque veio rápido e sem meios-tons. Helena Braz, a Tetéia Chaves, em uma questão de ordem que ignorou o tom diplomático de Dicíola, trouxe o debate para a frieza dos sistemas eletrônicos. O pomo da discórdia? A autoria de uma homenagem póstuma a Bebeto Lins.
Tetéia não recuou: usou a existência de um protocolo digital e as assinaturas colhidas para carimbar a tese de que houve, sim, má-fé por parte da colega. A ironia aqui é fina: enquanto Dicíola falava de princípios e moralidade, Tetéia falava de logs, prazos e assinaturas pendentes. Foi o choque entre o subjetivo e o burocrático, deixando claro que a “paz de agosto” era apenas uma camada fina de verniz sobre divergências profundas.
Carmélia da Mata: A estratégia do Lilás e a “Bomba Educacional”
Fechando o triângulo de tensão, Carmélia da Mata vestiu o lilás como uma armadura de guerra. Com uma habilidade nata para pautar os bastidores, Carmélia transformou o mês de conscientização em uma plataforma de denúncia contra o que chamou de “violência política direcionada” às mulheres independentes. Mas a jogada de mestre – ou a “granada de efeito moral” da sessão – foi o desvio de foco estratégico: ao denunciar supostos casos de abuso sexual em escolas por funcionários indicados politicamente, ela elevou o sarrafo do debate. Carmélia não apenas entrou no quiproquó; ela o expandiu, jogando a pressão para cima do Executivo e dos líderes da base governista, exigindo que nomes como Zito Barbosa e Otoniel Teixeira saíssem do silêncio.
Análise: Quando o púlpito vira ringue
A política barreirense vive uma contradição pedagógica. No mês em que se deveria celebrar a união feminina contra agressões, as três parlamentares protagonizaram um espetáculo de forças opostas. Se por um lado Dicíola buscou a preservação da imagem, Tetéia Chaves buscou a afirmação da verdade factual e Carmélia buscou a dominação da agenda política.
O presidente Yure Ramon, ao intervir com um “puxão de orelha” sobre o regimento, agiu como o árbitro de uma luta que já havia extrapolado as cordas. O episódio sinaliza que o segundo semestre não será de construção, mas de demarcação de território.
A analogia final é inevitável: o Agosto Lilás na Câmara de Barreiras começou com o brilho da cor, mas terminou com o som seco do embate. Para quem esperava um retorno sereno, o recado foi dado: as eleições de 2026 já estão ditando o tom das discussões de hoje.
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