A articulação de bastidor que garantiu a reeleição de Yure Ramon na Câmara de Barreiras
Fracasso de Danilo Henrique como articulador e tentativa de interferência da deputada federal Rogéria Santos implodem a base governista; ligação decisiva para Carlos Muniz e experiência de Tito selam a vitória.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Na política, tentar puxar o tapete de quem já conhece o terreno costuma servir apenas para desequilibrar o próprio atirador. Foi exatamente esse o enredo que se desenhou nos bastidores da sucessão da Câmara Municipal de Barreiras, selada na noite desta quinta-feira (01).
A reeleição do presidente Yure Ramon para o comando do Legislativo escancarou, de forma crua, o completo fracasso de Danilo Henrique como autoproclamado articulador político, revelando a perda total de controle sobre a sua própria base e o isolamento de seus aliados.
O estopim da crise nasceu de uma tentativa de intervenção direta nos rumos da Casa. Nos bastidores, a articulação liderada pela deputada federal Rogéria Santos (Republicanos) tentou desidratar o projeto de Yure ao tentar “arrebatar” dois vereadores de sua base de sustentação – uma manobra desenhada para esvaziar o quórum e enfraquecer o presidente na véspera da votação.
Contudo, a rasteira vazou antes de sair do papel. Ao descobrir o plano de desidratação arquitetado pelo grupo de Rogéria Santos, Yure Ramon não hesitou: puxou o telefone e abriu um canal direto com Carlos Muniz, presidente da Câmara Municipal de Salvador.
Diante do cerco montado no Oeste, o pai de Carlos Muniz, figura influente nos bastidores da política soteropolitana, acionou diretamente ACM Neto para cobrar posição e frear os estragos provocados pela investida desenfreada no quintal alheio, evidenciando o tamanho do racha.
A ligação transformou um problema local em um acordo político de peso estadual. No pacote, Yure sacramentou apoio ao projeto federal de Carlos Muniz Jr., convertendo o que seria uma tentativa de golpe caseiro em musculatura política intermunicipal de primeira grandeza.
O estrago na base governista de Barreiras foi tão retumbante que as ondas de choque atravessaram o estado. Num arranjo sintomático que corou o ocaso da articulação palaciana – por coincidência ou não -, a vereadora Silma Rocha (Republicanos) acabou eleita 2ª secretária da mesa diretora, escancarando a falta de coesão e a fragmentação definitiva do grupo que tentou o bote e saiu desmoralizado.
No fim das contas, a engenharia que garantiu a recondução de Yure escancarou dois pesos e duas medidas no tabuleiro da cidade. De um lado, a miopia administrativa e o amadorismo político do prefeito Otoniel Teixeira, cujo grupo apostou na confusão e colheu a própria derrota moral.
De outro, a leitura cirúrgica e experiente do ex-deputado federal Tito – que já presidiu a mesma Casa por dois biênios consecutivos e sabe como poucos ler o regimento e antecipar botes. Quem tenta manobrar no escuro sem calcular a força de quem está na trincheira acaba descobrindo da pior forma que o tiro sempre pode sair pela culatra.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#Barreiras #PoliticaBaiana #Bastidores #OesteDaBahia #Alba2026






