Marina Silva eguminosa Chamaecrista marinasilvae
Endêmica do Tocantins e já sob risco de extinção, a leguminosa Chamaecrista marinasilvae foi descrita por pesquisadores da UFOB e da Embrapa na revista Nordic Journal of Botany.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Uma nova espécie de leguminosa descoberta no Jalapão, no Tocantins, recebeu o nome científico de Chamaecrista marinasilvae em homenagem à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. A descrição do táxon foi oficializada em artigo publicado na revista científica internacional Nordic Journal of Botany.
O trabalho é resultado da dissertação de mestrado da bióloga Késia Ramos Miranda, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB). A pesquisa foi orientada pela professora Juliana Gastaldello Rando e desenvolvida em conjunto com Marcelo Fragomeni Simon e Raiana Rocha de Souza, ambos pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen).
A espécie não era de todo desconhecida, mas estava oculta sob uma identificação incorreta. Galhos e amostras coletados em expedições anteriores constavam em acervos de herbários sob o registro de Chamaecrista juruenensis. Foi o detalhamento morfológico conduzido pela equipe que apontou variações estruturais nas folhas, na anatomia reprodutiva, nos frutos e na cobertura de pelos dos ramos, confirmando tratar-se de um vegetal inteiramente distinto.
A Chamaecrista marinasilvae varia entre 1,5 e 3 metros de altura, apresentando-se como arbusto ou arvoreta esguia. Apresenta ramos avermelhados ou esbranquiçados e inflorescências com pétalas amarelas. O habitat é muito específico: vegetação de campo sujo e cerrado rupestre, associada a terrenos pedregosos e arenosos situados entre 506 e 666 metros de altitude.
Mesmo com a catalogação recente, o vegetal ingressa na literatura já sob status de ameaça. Avaliações preliminares pautadas nas diretrizes da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) enquadraram a planta na categoria “Em Perigo” (EN). Por ser restrita ao Tocantins, ela sofre os impactos diretos da abertura de áreas para a agricultura na fronteira do Matopiba, da incidência de fogo sem manejo e da ocupação turística desordenada. O único núcleo territorial conhecido em que se encontra tutelada pelo poder público é a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins.
Em manifestação nas redes sociais, Marina Silva celebrou o batismo e pontuou que se trata da terceira espécie batizada em seu tributo por pesquisadores. A ministra afirmou que a homenagem evidencia a centralidade dos estudos taxonômicos e a urgência de fortalecer as unidades de conservação para resguardar a vegetação nativa do bioma.
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