Voto contra data centers nos EUA impõe derrota a big techs e derruba ações de inteligência artificial
Imagem de Divulgação/Gov.Br
Rejeição a megaestruturas em 40 de 41 plebiscitos locais pressionou mercado financeiro e enfraqueceu base política de Donald Trump, segundo reportagem da Agência Brasil.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A resistência da população dos Estados Unidos ao avanço acelerado da infraestrutura de inteligência artificial (IA) resultou em uma derrota expressiva para as gigantes da tecnologia nas eleições de meio de mandato. Segundo informações apuradas pela Agência Brasil, os eleitores rejeitaram a instalação de data centers em 40 dos 41 plebiscitos locais realizados em dez estados americanos na última terça-feira (3).
O recado vindo das urnas foi motivado pelo temor com a escalada no custo de vida e os impactos ambientais causados por essas megaestruturas, que demandam volumes monumentais de energia elétrica e água para resfriamento. O desgaste popular transbordou para o campo político geral, contribuindo diretamente para a derrota do partido do presidente Donald Trump, que perdeu o controle da maioria na Câmara dos Deputados e no Senado para os democratas.
O sentimento do eleitorado foi dimensionado por levantamento de boca de urna conduzido pela emissora NBC News: 57% dos entrevistados afirmaram acreditar que a IA causará mais prejuízos do que benefícios à sociedade, enquanto 76% se declararam explicitamente contrários à construção de novos data centers em suas próprias cidades. Em um dos casos mais contundentes citados na cobertura, no município de Ottawa, no estado do Kansas, a proibição à abertura de grandes centros computacionais foi aprovada com 72% dos votos.
O impacto político ecoou de imediato nas praças financeiras globais. As bolsas de valores registraram forte aversão ao risco diante da perspectiva de um cerco regulatório mais duro sobre o setor de tecnologia, provocando a desvalorização acentuada dos papéis ligados à IA. No mercado norte-americano, o índice acionário Nasdaq Composite chegou a tombar 5,5% nesta sexta-feira (6).
Em entrevista à Agência Brasil, o diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor da Universidade de Brasília (UnB), André Roncaglia, analisou que o revés nas urnas atingiu em cheio o arranjo de sustentação do governo republicano, que mantinha as grandes companhias de tecnologia como aliadas centrais.
“Nos EUA, os estados que tinham menos regulação para data centers recebiam muito mais investimentos. Isso gerou uma série de impactos ambientais, com encarecimento da energia e da água. Isso foi mobilizando cada vez mais uma reação popular”, explicou Roncaglia.
Com o novo desenho de forças no Congresso norte-americano, a expectativa de analistas políticos e econômicos é de que a bancada democrata acelere projetos de lei para impor travas rígidas de segurança ao desenvolvimento de modelos de IA, além de impor restrições ambientais e limites ao consumo elétrico para plantas industriais de dados acima de 25 megawatts – desmontando a cartilha de autorregulação até então defendida pela gestão Trump.
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