“O poste mijando no cachorro” Yure Ramon rebate Prefeito por tentar repassar conta do transporte à Câmara
Presidente do Legislativo de Barreiras classifica como irresponsável sugestão de que a Câmara custeie subsídio de ônibus e denuncia rombo de R$ 164 mil em gratuidades não pagas pela Prefeitura
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O presidente da Câmara Municipal de Barreiras, vereador Yure Ramon, utilizou uma metáfora forte para definir a postura da gestão municipal diante do colapso dos ônibus na cidade. Durante a audiência pública realizada nesta quarta-feira (29), Ramon disparou a frase: “É o poste mijando no cachorro”, ao rebater um ofício enviado pelo prefeito Otoniel Teixeira, que sugeria que a Câmara utilizasse seus próprios recursos (duodécimo) para pagar o subsídio tarifário à concessionária.
Para o presidente, a proposta é uma tentativa irresponsável de inverter a ordem institucional, transferindo uma obrigação direta do Poder Executivo – o de executar serviços públicos e gerir contratos – para o Poder Legislativo, cuja função é fiscalizar.
O rombo das gratuidades e a falência do sistema
Yure Ramon trouxe dados financeiros técnicos para embasar sua indignação. Ele revelou que, somente no mês de março, a Viação Cidade de Barreiras (VCB) acumulou um déficit de R$ 164.139,00 apenas com o transporte de estudantes e idosos que possuem gratuidade ou meia-passagem.
Segundo o parlamentar, a Prefeitura não repassa “sequer um real” para cobrir esses custos, empurrando a empresa para um prejuízo mensal que beira os R$ 200 mil.
“Como a empresa vai renovar frota ou manter ônibus funcionando com esse rombo? A Prefeitura se omite e depois quer que a Câmara, que economiza e fiscaliza, pague a conta que é de responsabilidade do prefeito”, afirmou Ramon.
Caos generalizado: Saúde, Guarda e Transporte
O discurso do presidente foi além da mobilidade, traçando um diagnóstico de abandono em diversas áreas da administração municipal. Ele denunciou que o “caos” é sistêmico: citou a precariedade na saúde e o fato de guardas municipais estarem trabalhando com coletes balísticos vencidos.
Emocionado ao ver o plenário lotado de moradores da zona rural e pessoas com deficiência, Ramon fez um apelo direto:
“Corta meu coração ver pais de família, idosos e estudantes aqui pedindo socorro por um direito básico. Otoniel, tenha sensibilidade. Olhe para esses cadeirantes, tenha coração. Não tem como a sociedade barreirense continuar vivendo isso enquanto o governo joga a culpa para os outros”.
Ausência da base e ultimato
Yure Ramon também lamentou o esvaziamento da audiência pelos vereadores que compõem a base de apoio ao prefeito, interpretando o fato como um descaso com a pauta popular. Embora tenha ressaltado que a Câmara busca soluções diplomáticas, ele não descartou a abertura de uma CPI para investigar o contrato de concessão caso a reunião agendada no Ministério Público não traga resultados práticos.
“A sociedade precisa saber quem realmente está preocupado em resolver os problemas. Nós não vamos nos calar diante dessa inversão de valores”, concluiu.
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