Corrida contra o relógio e desespero: Segunda onda de exonerações em Barreiras reforça pressão por empréstimo de R$ 140 milhões
Novo “facão” atinge Saúde e Secretários Escolares; bastidores revelam que cargos são usados como isca: se o empréstimo passar, todos serão renomeados.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O clima de desespero administrativo e barganha política tomou conta da Prefeitura de Barreiras. Em uma manobra que mistura asfixia fiscal e intimidação, o prefeito Otoniel Teixeira publicou uma segunda onda de exonerações no Diário Oficial (Edição 4655). O movimento é visto como a tentativa final de Zito Barbosa e Otoniel de dobrar os vereadores da base para aprovar o empréstimo de R$ 140 milhões antes que o cronograma legal inviabilize o projeto.
O Raio-X do desmonte (46 baixas em 48 horas)
O desmonte de quase uma exoneração por hora, atinge pilares sensíveis da administração para gerar o máximo de impacto político. A Educação concentra 65,2% das baixas, com o foco mudando de diretores para Secretários Escolares, desestruturando a rotina de colégios como Padre Vieira e Octávio Mangabeira.
A nova lista avançou também sobre a Saúde, exonerando gerentes da pasta, além de atingir áreas como Assistência Social e Cultura.
Manobra política e a “Chibata” nos vereadores da base governista
Diferente de um planejamento focado na lei, o que se vê é o uso da caneta como ferramenta de intimidação. As exonerações atingem cirurgicamente cargos indicados por vereadores da base aliada. O recado dos bastidores é explícito: quem não votar a favor do novo endividamento verá seu capital político ser dizimado.
No entanto, o jogo de pressão guarda um detalhe sórdido: comenta-se nos corredores do poder que a “punição” é temporária. O governo já teria sinalizado que, caso o empréstimo de R$ 140 milhões seja aprovado, todos os indicados serão prontamente renomeados para seus postos originais.
Trata-se de um movimento de fachada para simular uma austeridade inexistente perante o Tesouro Nacional enquanto mantém o Legislativo sob rédea curta.
Por que a pressa? O relógio contra a gestão

A urgência desesperada tem motivos técnicos e eleitorais claros. Zito Barbosa, atual pré-candidato a deputado federal, precisa das obras (pontes e hospital) como “cartão de visitas” para 2026. Para isso, o contrato precisa ser assinado até julho de 2026, quando entra em vigor o “defeso eleitoral” que proíbe repasses e novas contratações de crédito.
Além disso, a prefeitura corre para obter o aval da União antes que sua nota de crédito (CAPAG) seja rebaixada para “Nota C” no Tesouro Nacional, o que impediria definitivamente o empréstimo. Como o gasto com pessoal atingiu 50,60% (rompendo o Limite de Alerta da LRF de 48,60%), o prefeito faz esses cortes “no susto” para tentar baixar o índice e garantir o dinheiro antes que a contabilidade a condene.
Relatório confessa dívida de quase R$ 1 bilhão
O Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do 1º quadrimestre de 2026 funciona como uma certidão de insolvência. A Dívida Consolidada alcançou R$ 955.561.164,17, enquanto o caixa líquido disponível é de apenas R$ 29,6 milhões – menos de 3% do valor devido.
A gravidade é reforçada pelo perito judicial Dr. Carlos Prado, que denunciou na rádio Oeste FM que a prefeitura “maquiou” dados ao registrar juros como amortização de capital.
“Houve a contabilização da parcela de juros como liquidação de capital para melhorar a liquidez de forma não condizente com a realidade”, afirmou Prado, associando o rombo ao aumento de até 300% no IPTU para cobrir os juros da dívida.
O elefante branco
O empréstimo de R$ 140 milhões é a última cartada para concluir obras como o novo Hospital Municipal. A unidade é alvo de críticas por ser um potencial “elefante branco”: após consumir dezenas de milhões, será entregue à administração privada (PPP).
Oficialmente, a prefeitura diz que a dívida está em 95,73%, perto do limite de 120% do Senado Federal. Mas, sob a ótica da maquiagem denunciada pelo Dr. Carlos Prado, Barreiras pode já ter atravessado a fronteira da ilegalidade fiscal. Otoniel e Zito buscam o cabresto na Câmara: para o grupo político, o empréstimo é a sobrevida eleitoral; para a cidade, é uma hipoteca de décadas.
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