Dicíola Baqueiro e Delmah Pedra protagonizam embate sobre pragmatismo político e independência em Barreiras
Enquanto Dicíola defendeu a legitimidade das exonerações e citou repasses a entidades sociais, Delmah reafirmou a autonomia do mandato; Portal Caso de Política verificou extrato de convênio social.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A discussão em torno do empréstimo de R$ 140 milhões na Câmara de Barreiras, nesta segunda-feira (18 de maio de 2026), evidenciou um profundo embate de ideias entre as vereadoras Dicíola Baqueiro e Delmah Pedra. O confronto extrapolou a análise técnica do crédito e alcançou temas como governabilidade, independência parlamentar, exonerações políticas e a relação entre o Poder Legislativo e o Executivo.
Enquanto Dicíola sustentou a necessidade de alinhamento político para garantir estabilidade administrativa e viabilizar obras consideradas estratégicas, Delmah defendeu que a autonomia do mandato deve prevalecer sobre qualquer vínculo de cargos, interesses institucionais ou pressões externas.
Visão de Dicíola: pragmatismo político e governabilidade
A vereadora Dicíola Baqueiro defendeu o pedido de empréstimo argumentando que o aval da Caixa Econômica Federal representa uma garantia técnica suficiente da capacidade financeira do município. Ao abordar o ambiente de tensão provocado pelas recentes exonerações na prefeitura, a parlamentar classificou as demissões como parte de uma dinâmica natural da política, afirmando que governos necessitam de fidelidade da base aliada para assegurar governabilidade.
Durante o debate, Dicíola também mencionou que parlamentares que hoje criticam a gestão mantêm entidades do terceiro setor beneficiadas por recursos públicos.
“A senhora mesma tem uma ONG que recebe recurso público. Isso é normal”, afirmou a vereadora, sugerindo que diferentes agentes políticos possuem interesses institucionais inseridos no cenário administrativo do município.

Em análise técnica aos registros oficiais da prefeitura, o Portal Caso de Política localizou o Extrato do Termo de Colaboração FMS nº 001/2026 (Processo Administrativo nº 237/2026), publicado no Diário Oficial nº 4616 em 16 de março de 2026, referente à Casa de Reintegração Social Nova Vida.
O documento confirma que a vereadora Delmah Pedra não aparece como dirigente da entidade no período vigente, sendo o termo firmado por Alexio José Brito dos Santos, identificado como presidente da Organização da Sociedade Civil (OSC).
O convênio prevê o repasse de R$ 1.493,93, em parcela única, destinado ao acolhimento e à reinserção social de 15 pessoas em situação de vulnerabilidade encaminhadas pelo município de Barreiras.
Visão de Delmah: independência e responsabilidade fiscal
Em resposta, a vereadora Delmah Pedra rejeitou qualquer tentativa de associar sua posição política a interesses particulares, afirmando que seu mandato é pautado pela independência.
“Não tenho ninguém que me prende a decisões. O que eu achar melhor para Barreiras, assim farei.”
A parlamentar também contestou a naturalização das exonerações políticas, afirmando que “ninguém fica feliz com a desgraça alheia” e defendendo que a atividade política não deve ser conduzida sob pressão.
Sobre o convênio citado durante o debate, Delmah destacou que a instituição desenvolve um trabalho social histórico no Povoado do Mucambo, acolhendo pessoas encaminhadas pelo próprio município, sem que isso interfira na autonomia de sua atuação parlamentar.
No campo fiscal, a vereadora manteve as críticas ao projeto de empréstimo, afirmando que aprovar uma matéria composta por apenas seis artigos, sem planilhas detalhadas ou cronogramas técnicos, equivaleria a assinar um “cheque em branco”. Delmah revelou ainda ter buscado diálogo direto com o prefeito Otoniel Teixeira antes do agravamento da crise política, sustentando que a função do vereador exige fiscalização baseada em responsabilidade e transparência.
Concepções distintas de atuação política
O embate evidenciou duas visões distintas sobre o papel do Legislativo em Barreiras. De um lado, Dicíola Baqueiro defendeu uma base governista sólida e pragmática como instrumento para assegurar obras e investimentos, especialmente na área da saúde. Do outro, Delmah Pedra reforçou a necessidade de independência parlamentar, transparência absoluta e limites claros na relação entre Executivo e Legislativo.
A sessão terminou com o projeto ainda em discussão, refletindo o cenário de forte divisão política em torno do empréstimo e das prioridades administrativas do município.
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