Crise de identidade e "cofre cheio": O amadorismo por trás dos ataques à Câmara de Barreiras
Card apócrifo opera “cirurgia plástica” em vereadores enquanto prefeitura tenta esconder R$ 11 milhões parados na Saúde e base governista admite desconhecer projetos que defende.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Barreiras assistiu, nesta quarta-feira (10), a uma tentativa de manipulação digital que beira o ridículo. Um card anônimo, distribuído em grupos de WhatsApp para atacar o Legislativo, conseguiu a proeza de errar tudo: da sigla partidária à fisionomia dos parlamentares. O “atentado” contra a verdade foi tão amador que operou uma verdadeira metamorfose nos vereadores: o presidente Yure Ramon (PRD), um homem negro, foi retratado como branco; a vereadora Thaislane Sabel “mudou” de gênero; e a veterana Beza Rosa ganhou uma nova etnia e décadas de juventude que só existem na ficção de quem com total “Jenialidade” editou o material.
A peça tenta emplacar a narrativa de que a Câmara “amarra” o progresso da cidade. No entanto, o discurso de “mãos atadas” do prefeito Otoniel Teixeira não resiste a um minuto de consulta aos extratos bancários do município. Durante a sessão de segunda-feira (08), o presidente Yure Ramon trouxe à tona o dado que tira o sono dos marqueteiros do governo: a prefeitura possui R$ 11 milhões carimbados para a Saúde parados em caixa há dois meses. Com uma arrecadação diária de aproximadamente R$ 3 milhões, falar em paralisia por culpa da Câmara soa mais como má gestão ou confissão de incompetência.
Defesa no escuro e ignorância técnica
O sarcasmo do Legislativo também sobrou para a bancada governista. Yure Ramon não poupou críticas aos colegas da base que tentam empurrar o projeto do superávit via “urgência urgentíssima” sem sequer saber do que se trata o texto.
“Chegam no gabinete perguntando qual o teor do projeto”, alfinetou o presidente, expondo o teatro do absurdo de quem defende com fervor documentos que nunca leu.
Como reforçou o vereador João Felipe, o projeto em questão sequer prioriza a Saúde, focando em remanejamentos nebulosos que exigem fiscalização, e não um “cheque em branco”.
O “print” como prova judicial
A brincadeira nas redes sociais, porém, pode ter um desfecho nos tribunais. O presidente da Casa subiu o tom e confirmou que o setor jurídico já monitora perfis de funcionários da prefeitura que coordenam ataques e distorções sistemáticas contra o Parlamento.
“Estamos coletando prints de ataques feitos por servidores públicos. Tomaremos as devidas providências legais. Não admitirei que tentem jogar a sociedade contra o Legislativo para esconder falhas administrativas”, sentenciou Yure Ramon.
Herança de improviso
Enquanto a gestão gasta energia financiando “Jênios de internet” para desconstruir o Legislativo, a Barreiras real padece. O clima é de uma cidade “triste”, com tradições culturais morrendo e serviços básicos falhando, apesar do cofre cheio.
A Câmara deixou claro: canetada de urgência não substitui planejamento. Se o Executivo deseja agilidade, o caminho é o diálogo e a transparência, e não a edição de cards que mudam a cara dos vereadores, mas não conseguem esconder o vazio da gestão.
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