“Mãos sujas e caçambas alugadas”: Sessão na Câmara de Barreiras vira campo de batalha e blinda orçamento de 2027
Com a aprovação de 22 emendas à LDO, oposição e independentes “sequestram” a pauta de obras do Executivo e impõem derrota estratégica ao projeto de endividamento de R$ 140 milhões.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A manhã desta segunda-feira (22) na Câmara Municipal de Barreiras foi definida pelo confronto aberto e pela imposição de uma nova realidade política ao Executivo. A aprovação de um pacote de 22 emendas ao Projeto de Lei nº 005/2026 (LDO 2027) representou um xeque-mate estratégico na narrativa do prefeito Ottoniel Teixeira. Ao “carimbar” na lei orçamentária as obras que a prefeitura alegava depender de um empréstimo de R$ 140 milhões, o Legislativo retirou o principal argumento para o endividamento bancário da cidade.
O embate das “Caçambas”: A reação de Tatico

“Quem não deve, não treme?” O embate entre Yure Ramon e Tatico na Câmara de Barreiras revelou que, na política, às vezes o nome não precisa ser citado para a carapuça servir. Ao falar em “votos por caçambas”, o presidente viu a reação imediata do colega soar como uma confissão involuntária dos bastidores do Paço Municipal.
O termômetro político explodiu durante as considerações finais. O vereador Tatico, vocalizando o descontentamento da base governista, acusou a mesa diretora de celebrar o que chamou de “pacote da maldade”: “Os vereadores sorrindo de orelha a orelha, fazendo a maldade e ainda comemorando. É um Legislativo que quer ser Executivo”, disparou.
A tréplica do presidente Yure Ramon, no entanto, paralisou o plenário com uma indireta de alvo certeiro:
“Manchamos as mãos quando trocamos o voto por caçambas alugadas. Aí nós manchamos as mãos. Quando trocamos voto por algum benefício pessoal”, sentenciou Yure.
O efeito foi imediato. Sentindo o peso da declaração, Tatico interrompeu a fala do presidente aos gritos: “Presidente, me acusou! Não seja leviano!”. Yure não recuou:
“Em nenhum momento citei o nome dele, mas vossa excelência está sendo leviano”. O episódio foi lido nos corredores como uma confissão involuntária sobre os métodos de articulação política do Paço Municipal.
Yure responde a Dicíola: “A sociedade que julgue”

“A sociedade que julgue.” Ao rebater as acusações de manipulação feitas por Dicíola Baqueiro, Yure Ramon devolveu o ônus da ética ao plenário: os vereadores buscam o bem de Barreiras ou apenas os interesses do prefeito? O embate deixou claro quem prioriza o cidadão e quem defende a gestão.
A tensão não se limitou a Tatico. A vereadora Dicíola Baqueiro, que em episódios recentes chegou a rotular uma profissional de imprensa como “matadora de aluguel”, classificou a aprovação das emendas como um jogo de cartas marcadas:
“Eu vejo isso como uma manipulação… um jogo para enfraquecer o prefeito e a gestão”.
A resposta de Yure Ramon foi imediata e institucional:
“Me estranha a senhora falar em manipulação. Em nenhum momento usei esta casa para isso. Mas eu digo o seguinte: que a sociedade julgue agora se os vereadores buscam o melhor para a população ou o melhor interesse para o prefeito”, rebateu o presidente, devolvendo o ônus da ética ao plenário.
O cerco regimental de Hipólito

Dois pesos e duas medidas? Hipólito tentou travar a LDO citando o regimento, mas foi desarmado por Yure Ramon. A memória do plenário lembrou que, para aprovar o superávit do prefeito na semana anterior, a falta de sistema não foi problema para a base governista. Coerência ou conveniência?
O líder do governo, Hipólito, tentou uma manobra técnica para barrar a votação, sustentando que a pauta não havia sido publicada oficialmente no sistema eletrônico da casa. Invocando o Artigo 111 do Regimento Interno, Hipólito tentou anular o rito. Contudo, Yure Ramon desarmou o argumento ao recordar o histórico recente: na semana anterior, a base governista aprovou o uso de superávit financeiro sem qualquer questionamento sobre o sistema, apenas porque era de interesse do prefeito.
“Atendi vossa excelência semana passada num pedido [de pauta], e hoje estou atendendo o pedido da vereadora Carmélia. Não usarei dois pesos e duas medidas”, pontuou Yure.
Desabafo de João Felipe e a “Barreiras do Muro Baixo”

“Muro baixo ou falta de estatura?” Sob processos e perseguições, João Felipe subiu à tribuna para desafiar o prefeito Ottoniel: “Se quer me calar, mande me matar”. O desabafo expõe a crise em Barreiras, onde o Executivo usa demissões como arma para tentar dobrar o Legislativo e forçar o empréstimo milionário.
João Felipe, que enfrenta processos movidos pelo prefeito Otoniel Teixeira restrições judiciais para entrar em repartições públicas, subiu à tribuna em tom de resistência. Ele ironizou as tentativas de intimidação da gestão:
“Se quer me calar, mande me matar. Me mate! Porque eu não vou me calar. Se me acontecer algo, a responsabilidade é sua”.
Ao criticar as perseguições, o vereador recorreu a um ditado popular: “Como diz o povo do Piauí: Ô, Barreiras do Muro Baixo”, em referência à falta de estatura política da atual administração.
A perseguição denunciada por João Felipe e outros parlamentares ocorre num cenário onde o Executivo usou demissões de comissionados para tentar dobrar o Legislativo e aprovar o empréstimo milionário.
Saiba mais
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Carmélia desafia o “Engenheiro” Zito Barbosa

“Sua riqueza é da política!” Carmélia da Mata mirou o ex-prefeito Zito Barbosa e cravou a nova LDO como o escudo de Barreiras contra o endividamento. Ao carimbar as obras na lei, tirou-se o último argumento da gestão Otoniel para tentar o empréstimo milionário. O xeque-mate foi dado.
Articuladora técnica das emendas, Carmélia da Mata mirou o ex-prefeito Zito Barbosa, a quem acusa de ser o verdadeiro condutor da cadeira de Otoniel.
“Me diga, ex-prefeito, cadê as plantas que você assinou como engenheiro? Sua riqueza é da política!”, questionou. Carmélia reforçou que a LDO agora é o escudo da cidade contra o endividamento:
“Tudo o que o prefeito queria fazer com o empréstimo está agora na LDO. Não há mais desculpa”.
Tabela: O novo rigor da LDO 2027 e as “Obras Carimbadas”
O quadro abaixo detalha como a Câmara reorganizou as prioridades orçamentárias, forçando a execução de obras históricas sem a necessidade de novos empréstimos bancários.
Artigo | Objeto da Emenda | Detalhes das Obras e Localidades | Impacto Político |
| 4º, XIII | Infraestrutura Urbana | Pavimentação e requalificação no CAB, Feira da Vila Rica, Rio Branco, Nanica, Angélica Aires, Barreiras Norte, Barrocão de Cima, Morada Nobre, Buritis e Conquista. | Obras que eram usadas como justificativa para o empréstimo tornam-se obrigatórias no orçamento regular. |
| 4º, XIII | Saúde e Social | Conclusão do Hospital Edison Neves, construção da Casa do Autista, Espaço Idade Viva e Centro de Tradições Nordestinas. | Garante equipamentos sociais estratégicos sem comprometer o futuro financeiro da cidade. |
| 4º, XIII | Obras de Arte e Lazer | Construção da Ponte sobre o Rio Grande (ligando o Centro ao Foz do Iguape) e reforma de 12 Praças (Igreja São João Batista, Perpétuo Socorro e Bandeirantes). | Retira do Executivo a narrativa de “falta de recursos” para obras de mobilidade e lazer. |
| 19 e 71 | Controle de Dívida | Exige lei específica e detalhada para qualquer nova operação de crédito. | Acaba com os pedidos de “cheque em branco” e o endividamento por decreto. |
| 34-A e 42 | Blindagem de Verbas | Impede o contingenciamento (bloqueio) das emendas parlamentares impositivas. | Protege o recurso indicado pelo vereador contra retaliações políticas da prefeitura. |
| 36 | Fim do Sigilo | Audiência da LOA obrigatória com presença do Prefeito e Secretários sob pena de ilegalidade. | Força o diálogo direto; o prefeito terá de explicar o orçamento “olho no olho” com o Legislativo. |
| 47-A | Fiscalização em Tempo Real | Obrigatoriedade de envio de relatórios mensais detalhados de toda movimentação orçamentária. | Transparência total; a Câmara passa a auditar o caixa da prefeitura mês a mês. |
| 60 e 61 | Trava Eleitoral | Vincula novas contratações e aumentos salariais estritamente à Margem de Expansão da LRF. | Impede o inchaço da folha de pagamento para fins puramente eleitorais em 2026/2027. |
Caso de Política | A informação passa por aqui.
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