Pesquisa aponta que 72% das publicações da esquerda associaram Flávio Bolsonaro ao tarifaço dos EUA
Levantamento do Instituto Democracia em Xeque indica que a narrativa que responsabiliza o senador pela tarifa imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros ganhou ampla repercussão nas redes e superou as tentativas de atribuir a medida ao governo Lula.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornou-se o principal alvo das críticas nas redes sociais após a decisão do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Levantamento divulgado nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Democracia em Xeque aponta que a repercussão negativa contra o parlamentar alcançou dimensão significativamente superior às publicações que buscaram responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela medida.
Segundo informações publicadas pela coluna Sonar, do jornal O Globo, o episódio passou a ser identificado nas redes pela expressão “Tariflávio”, marcando uma mudança importante no ambiente digital envolvendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o estudo, nos dias que antecederam o anúncio das tarifas, Flávio Bolsonaro havia conseguido reduzir a visibilidade de discussões relacionadas ao caso Dark Horse e às especulações sobre possíveis conexões entre a produtora audiovisual e o banco Master. A visita do senador aos Estados Unidos e sua aparição ao lado de Donald Trump chegaram a gerar repercussão positiva entre apoiadores da direita.
Também repercutiu favoravelmente entre parte desse público a decisão do governo norte-americano de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O cenário, porém, mudou rapidamente após a divulgação do tarifaço sobre produtos brasileiros.
Os dados do Instituto Democracia em Xeque mostram que a hashtag “Tariflávio” acumulou 563,1 mil publicações e aproximadamente 4,7 milhões de interações. Em comparação, os conteúdos que procuraram responsabilizar o governo Lula registraram 58,9 mil publicações e cerca de 606,4 mil interações.
Segundo a análise, o volume de menções que atribuíram responsabilidade a Flávio Bolsonaro foi quase dez vezes superior ao número de publicações que responsabilizaram o presidente da República. Para os pesquisadores, a proximidade política entre o senador e Donald Trump contribuiu para que parte dos usuários das redes associasse o episódio às relações mantidas pela família Bolsonaro com o governo norte-americano.
O levantamento também identificou diferenças relevantes entre os campos políticos. Entre os perfis alinhados à esquerda, 72% das publicações relacionadas ao tema associaram diretamente o tarifaço ao senador, demonstrando elevada convergência discursiva.
Já entre os perfis ligados à direita, 46% das postagens abordaram o impacto das tarifas, enquanto 28% procuraram responsabilizar o governo Lula pela medida adotada pelos Estados Unidos. Na avaliação dos pesquisadores, os números revelam uma fragmentação narrativa entre grupos conservadores.
Outro ponto destacado pelo estudo envolve a repercussão das manifestações de pré-candidatos da direita sobre a decisão norte-americana. Segundo o Democracia em Xeque, parte dessas declarações foi interpretada nas redes sociais como sinal de alinhamento excessivo aos interesses dos Estados Unidos, ampliando críticas que inicialmente estavam concentradas em Flávio Bolsonaro.
“O efeito foi a generalização da pecha de entreguismo para o conjunto do campo, e não só para Flávio Bolsonaro”, conclui o relatório do instituto.
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