Otoniel Teixeira baixa a guarda e rompe isolamento herdado de Zito Barbosa em Barreiras
Aprovado em sessão extraordinária na última sexta-feira (17), o Projeto de Lei nº 013/2026, agora sancionado, abre caminho para que a gestão busque recursos federais e estaduais para destravar gargalos históricos, como o Hospital Municipal.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O prefeito de Barreiras, Otoniel Teixeira, sancionou a Lei nº 1.751/2026 (fruto do Projeto de Lei nº 013/2026), em um movimento que vai muito além da burocracia: trata-se de um “cavalo de pau” político.
Aprovada em regime de urgência pela Câmara Municipal durante sessão extraordinária realizada na última sexta-feira (17), a medida autoriza a prefeitura a firmar convênios com a União, o Governo da Bahia e o terceiro setor. Na prática, Otoniel rompe com a estratégia de isolamento que marcou a era de seu antecessor, Zito Barbosa, reconhecendo que Barreiras não pode mais se dar ao luxo de governar como uma ilha autossuficiente.
Durante este quase um ano e meio de mandato, a gestão municipal seguiu estritamente a cartilha de Zito, mantendo distância das outras esferas de poder por divergências partidárias que acabavam por represar o fluxo de investimentos. O custo dessa “muralha” política é visível nos canteiros da cidade: esqueletos de concreto que deveriam ser o Hospital Municipal, pontes inacabadas – e outras que ainda aguardam o primeiro tijolo -, além de projetos de drenagem e pavimentação que caminham a passos de cágado e a crescente necessidade de novas UPAs. Ao baixar a ponte levadiça para Salvador e Brasília, Otoniel sinaliza que o pragmatismo administrativo finalmente venceu a barreira ideológica.
A decisão é acertada e urgente. Barreiras hoje é um paciente que precisa de oxigênio externo para concluir suas grandes demandas; os recursos próprios, embora vultosos, já não suportam o peso das obras acumuladas e das novas exigências sociais. Buscar o alinhamento com as demais esferas não é sinal de fraqueza, mas de sobrevivência política – é a substituição do orgulho pelo cimento, pelo saneamento e pelos projetos sociais. Sem essa abertura viabilizada pelo agora sancionado PL 013, o Hospital Municipal correria o risco de se tornar uma ruína antes mesmo da inauguração.
Embora a nova lei proíba explicitamente o endividamento via operações de crédito ou empréstimos bancários – uma trava de segurança essencial contra o descontrole fiscal -, ela concede a Otoniel o “passaporte” necessário para transitar em ministérios e secretarias estaduais. Politicamente, o prefeito demonstra estar saindo da sombra do “zitismo” para construir uma identidade focada em entregas reais e parcerias estratégicas.
No xadrez do Oeste Baiano, Otoniel moveu uma peça que obriga a oposição a recalcular a rota, enquanto tenta dar um choque de gestão em uma cidade que já cansou de esperar.
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