Operação Narciso 16072026
Investigação revela que medicamentos eram vendidos por redes sociais sem prescrição e sem controle sanitário; ação integra esforço para conter o avanço de falsificações no Brasil.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Narciso, cumprindo 11 mandados de busca e apreensão em Barreiras, no Oeste baiano. O alvo é um esquema de comercialização irregular de “canetas emagrecedoras” (medicamentos injetáveis) que eram ofertadas livremente em grupos de mensagens e redes sociais, ignorando a obrigatoriedade de receita médica e normas de armazenamento.

As buscas, conduzidas pela 11ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (COORPIN), resultaram na apreensão de 200 canetas emagrecedoras, documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais de interesse para a investigação. Os medicamentos apreendidos têm valor estimado em R$ 164 mil. Segundo a investigação, os produtos eram vendidos a preços elevados e tinham origem desconhecida. A falta de controle sobre a temperatura de transporte e estocagem – essencial para a eficácia desses fármacos – era um dos pontos centrais de preocupação das autoridades.
Risco à saúde e alerta da Anvisa
A ofensiva em Barreiras acontece em meio a um alerta nacional emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o crescimento de falsificações de medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida.
O uso desses produtos sem acompanhamento médico e com procedência duvidosa pode causar desde reações adversas graves até intoxicações, já que, em casos de mercado paralelo, não há garantia de que o conteúdo da caneta corresponda ao rótulo.
Estratégia de segurança integrada
Embora o foco imediato seja o comércio em Barreiras, a Operação Narciso se alinha a diretrizes da Secretaria de Segurança Pública da Bahia e do Ministério da Justiça para combater o contrabando e o descaminho de insumos hospitalares e estéticos.
A ação faz parte de um conjunto de operações recentes que buscam desarticular a logística financeira de grupos que lucram com a vulnerabilidade de pacientes em busca de tratamentos estéticos rápidos. Os materiais apreendidos passarão por perícia para identificar se, além da venda ilegal, há indícios de falsificação ou adulteração das substâncias.
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