Geremias é acusado de quebra de decoro
Alvo de processo de cassação por quebra de decoro, vereador usou a tribuna para se defender; autor do pedido rebateu e exibiu o suposto vídeo no plenário.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão da Câmara Municipal de Wanderley desta segunda-feira (14) terminou marcada por um forte confronto entre os vereadores Geremias Mascarenhas e Dedé Silva. Alvo de um processo de cassação por suposta quebra de decoro parlamentar, Geremias ocupou a tribuna, somando seu tempo ao da liderança da minoria, para negar as acusações e apresentar sua defesa.
Na sequência, Dedé, autor do pedido de cassação, rebateu o discurso e exibiu, diretamente do celular, um suposto vídeo de conteúdo íntimo que, segundo ele, estaria publicado nas redes sociais do colega.
Geremias nega as acusações

Geremias afirmou que sua vida foi exposta na Câmara “de uma das formas mais inescrupulosas” e que sua ausência teria sido aproveitada “para expor inverdades do plenário dessa casa, imputando a mim crimes jamais cometidos”.
Sobre a acusação de quebra de decoro, provocou:
“Eu desafio o meu denunciante a explicar para o povo o que é decoro parlamentar.”
O vereador também negou ter chamado o ex-presidente da Casa de “ladrão de fazenda”. Disse que se referia a pessoas que “fez patrimônio trabalhando e quem fez patrimônio roubando” e completou:
“O senhor mesmo é quem vestiu uma carapuça.”
Ao tratar da acusação de racismo envolvendo o presidente da Câmara de Barreiras, afirmou que o caso “está em inquérito policial” e que o Ministério Público ainda não havia recebido a denúncia nem o notificado.
Sobre a acusação relacionada à Lei Maria da Penha, disse ter havido “um depoimento falso na delegacia da mulher” e criticou a exposição de um processo que, segundo ele, tramita em segredo de Justiça.
Geremias também reagiu à acusação de abuso de vulnerável:
“Aqui foram longe demais. Querer colocar Geremias dentro das casas dessa cidade como um pedófilo. Isso aqui eu não vou perdoar.”
Ao responder à acusação de covardia, afirmou:
“O único homem que eu poderia ter medo já morreu e se chamava Santinho do Açougue.”
O vereador – Sem apresentar provas durante a sessão – ainda classificou o processo como “cheiro de pix” e “com cheiro de propina”. Argumentou ainda que o denunciante “é primo do atual prefeito, é primo da ex-prefeita” e sustentou que o processo foi aberto “no auge de uma campanha eleitoral”, em referência à sua candidatura a deputado estadual.
Sobre o processo, declarou que não teria sido notificado:
“Fui pego de surpresa, tudo na calada, tudo na surdina, cerceando meu direito de defesa.”
E concluiu:
“Nunca houve abuso de vulnerável, nunca houve uma conduta ilícita da minha parte.”
Dedé rebate e pede apoio para a cassação

Na sequência, Dedé Silva afirmou que seria fácil “chegar aqui e fazer uma oratória legal”, enquanto, segundo ele, vereadores e moradores teriam sido alvo de ataques.
Acusou Geremias de usar a mãe e a família para provocar comoção. “Eu não tenho pena porque o senhor nunca respeitou ninguém dentro dessa cidade”, afirmou.
Dedé citou ainda uma vereadora, descrita por ele como professora, mãe e avó, que teria sido alvo de chacota nas redes sociais por mais de oito dias por causa de uma flor no cabelo.
“O senhor é bom de discurso, mas você tem um coração mau”, disse.
Segundo Dedé, outros vereadores teriam sido humilhados durante seis anos. Ele acusou Geremias de atacar mulheres, professores e diretores.
“O senhor é o cara mais covarde que tem no município porque o senhor ataca a mulher, o senhor ataca professor, o senhor ataca diretor.”
Também afirmou que Geremias teria impedido policiais de utilizar o microfone durante palestras na Câmara.
Ao defender a continuidade do processo, foi direto:
“Tudo o que o senhor falou tá no processo. Eu tô pronto para ir até o fim.”
Depois, pediu apoio dos colegas para a cassação:
“Eu quero pedir o apoio de cada um de vocês para segunda-feira a gente caçar o mandato desse colega.”
E completou:
“A partir de segunda-feira o mandato dele vai vir para a mesa.”
Dedé ainda acusou Geremias de “jogar a pedra e esconder a mão” e mencionou processos relacionados a acusações de racismo, afirmando que haveria mais de 100 pessoas que teriam sido vítimas do vereador ao longo de seis anos.
O suposto vídeo aumenta a tensão

Foi nesse ponto que o confronto ganhou um novo elemento. Dedé passou a falar de um suposto vídeo de conteúdo íntimo que, segundo ele, estaria publicado na rede social de Geremias.
O vereador questionou o colega diante do plenário. Geremias respondeu que eventual crime não estaria protegido pela imunidade parlamentar.
“O que é crime continua sendo crime ainda que seja pronunciado da tribuna dessa câmara.”
Sobre o suposto vídeo, afirmou que a acusação precisaria ser comprovada judicialmente:
“Vídeo de sexo em redes sociais também vai ter que provar perante o juiz, coisas que nunca aconteceu.”
Geremias também disse que pretende buscar judicialmente informações sobre a acusação de que seria “psicopata”:
“Eu quero saber quem foi o psiquiatra que deu esse laudo.”
Na sequência, Dedé pegou o celular e exibiu o suposto vídeo durante a sessão.
“Esse filme aqui, esse meu colega tá no seu estado, dá para o senhor dar uma olhadinha? Se o senhor não quer olhar, vou mostrar para a população então”, afirmou.
Segundo Dedé, o material estaria publicado na rede social de Geremias Mascarenhas.
Ordem do dia: faltas de agosto são abonadas
Fora do confronto principal, a Câmara aprovou por unanimidade o requerimento de Geremias para o abono de duas faltas. O próprio vereador votou a favor.
As ausências foram nas sessões de 17 e 24 de agosto de 2026. No requerimento, Geremias informou que não pôde comparecer por “questões relacionadas a compromissos políticos”.
A segunda data coincide com um momento importante do processo. Foi na sessão de 24 de agosto que a representação apresentada por Dedé Silva contra Geremias foi lida e aceita pela Câmara.
Ministério Público deve enviar documentação
Segundo pronunciamento feito pelo o presidente da Câmara, Rafael Saldanha Silva no dia 24 de agosto, o Ministério Público deve encaminhar à Casa a documentação relacionada ao caso, incluindo o material que teria embasado a abertura do processo de cassação, noticiada pelo Caso de Política em agosto.
O processo foi aberto naquele mês a partir de denúncias que envolvem acusações de crimes graves e abuso de vulnerável.
Geremias, candidato a deputado estadual, também foi citado em reportagem publicada pelo portal em julho em razão de registros relacionados à Segurança Pública.
A eventual cassação do mandato depende do voto de dois terços do plenário.
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