O contraste entre as pretensões estaduais e o rastro de 18 registros na Segurança Pública
Pré-candidato a deputado estadual acumula 12 notas de repúdio e denúncias de racismo e misoginia; embate provoca rachadura entre Danilo Henrique e Zito Barbosa, pré-candidatos a federal.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes –No cenário político do Oeste baiano, o vereador Geremias Mascarenhas (União Brasil) vive um paradoxo entre suas pretensões à Assembleia Legislativa e a realidade documental. Enquanto busca viabilizar sua pré-candidatura a deputado estadual, registros da Secretaria de Segurança Pública e manifestações institucionais revelam um rastro de 18 boletins de ocorrência acumulados entre 2021 e 2026. O parlamentar enfrenta um cerco institucional após episódios de ataques pessoais e declarações classificadas como racistas por doze Câmaras Municipais da região.
A crise atingiu seu ápice em maio de 2026, quando Geremias concentrou ofensas contra o presidente da Câmara de Barreiras, Yure Ramon. Em vídeos e postagens, o vereador utilizou as expressões “preto, pobre e gordo” para desqualificar o adversário. A conduta motivou notas oficiais de repúdio por racismo, aporofobia e gordofobia, isolando o parlamentar inclusive dentro de sua própria Casa, a Câmara de Wanderley.
Misoginia e Autoritarismo: O rastro de vítimas
Manifestações enviadas ao portal Caso de Política revelam que os ataques recentes são parte de um padrão de comportamento recorrente. A vereadora de Barreiras, Carmélia da Mata, expôs publicamente a face agressiva do parlamentar, revelando que ele ataca sistematicamente quem não se curva aos seus interesses, incluindo a ela própria.
O relato de Fernanda Sá Teles, ex-prefeita de Wanderley, corrobora o histórico de hostilidade. Segundo Fernanda, ela foi humilhada por Geremias “como mulher, como mãe e como esposa”. A ex-gestora afirma que o vereador vive de “difamar e caluniar cidadãos de bem” e celebrou o fato de que as lideranças regionais finalmente identificaram a conduta do parlamentar, rompendo o silêncio sobre os ataques sistemáticos direcionados a mulheres.
O histórico de preconceito também é reforçado por uma denúncia anônima detalhada em texto jornalístico do Portal Caso de Política. Uma mulher relata ter ouvido do próprio Geremias que ela era uma “lady” e que não deveria se relacionar com um homem negro de “cabelo ruim”.
Autodenominação na Rádio e o “Escudo” Acadêmico
Em 10 de julho de 2026, em entrevista ao radialista Jota Silva (Oeste FM), o vereador autodenominou-se “vereador regional” e “vereador intermunicipal”. Juridicamente, tais funções inexistem no Brasil, onde o mandato legislativo é restrito ao município de eleição. Na ocasião, Geremias tentou utilizar seu diploma de historiador para ressignificar as ofensas de maio, alegando que os termos contra Yure Ramon seriam um “enaltecimento” baseado na Revolta dos Malês. Na mesma transmissão, ele classificou as investigações contra ele como “besteira de porta de delegacia”.
Mapeamento na Secretaria de Segurança Pública – Geremias como Autor (Causador)
A análise dos 12 registros onde o parlamentar figura como autor indica um padrão de conflitos interpessoais. As classificações abaixo reproduzem a terminologia oficial da Secretaria de Segurança Pública do Estado.
- 1433908/2026 – Injúria e Difamação
- 3398846/2026 – Crimes Contra a Honra
- 508635/2026 – Ameaça
- 6674733/2024 – Crimes Contra a Honra
- 10522152/2023 – Calúnia
- 11320130/2023 – Calúnia
- 12339586/2022 – Difamação
- 13250786/2022 – Ameaça
- 15223464/2022 – Calúnia
- 1660648/2022 – Difamação
- 17141961/2021 – Crimes Contra a Honra
- 180126781/2021 – Difamação
Mapeamento na Secretaria de Segurança Pública – Geremias como vítima
- 2400717/2026 – Calúnia e Ameaça
- 4207322/2026 – Lesão Corporal (Trânsito)
- 7667174/2024 – Ameaça
- 8547166/2024 – Ameaça
- 9651185/2023 – Ameaça
- 14229694/2022 – Fatos Atípicos
Fraturas na Base Política
O desgaste gerado por Geremias provocou rachaduras profundas entre seus aliados. O pré-candidato a deputado federal Danilo Henrique gravou um vídeo cobrando publicamente uma postura de Zito Barbosa, ex-prefeito e também pré-candidato a deputado federal, reconhecido como padrinho político de Geremias.
A crise agravou-se quando Zito Barbosa, em vez de condenar as falas do aliado, registrou queixa-crime contra Danilo Henrique, evidenciando uma tentativa de blindagem judicial que ignora o debate ético sobre o racismo.
Entre as pretensões de Geremias à Assembleia Legislativa e o “estoque” de 18 registros na Secretaria de Segurança Pública, emerge a figura de um político em conflito com o decoro parlamentar. A existência desses registros não representa condenação definitiva, prevalecendo a presunção de inocência, mas constitui informação de interesse público sobre a conduta de quem busca representar o Oeste baiano em instâncias superiores.
O Portal Caso de Política no expediente da boa prática do jornalismo buscou contato com o vereador Geremias Mascarenhas para comentar o conjunto de registros apresentados. Até o fechamento desta edição, não houve manifestação do parlamentar ou de sua assessoria. O espaço fica aberto para a sua manifestação.

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