Onda de repúdio contra Geremias une lideranças e revela rastro de ataques a mulheres e minorias
Em entrevista marcada por contradições na Oeste FM, vereador de Wanderley tenta usar o diploma de historiador para camuflar ofensas, mas é desmentido por denúncias de preconceito e pelo repúdio de sua própria Câmara.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O que o vereador de Wanderley, Geremias Mascarenhas (União Brasil), tentou classificar como “mimimi” ou “distorção” em entrevista à rádio Oeste FM nesta quinta-feira (28), transformou-se em um dos maiores movimentos de repúdio coletivo da história política do Oeste baiano. O isolamento de Geremias é agora absoluto: ultrapassou as fronteiras partidárias, atingiu o setor produtivo e revelou um rastro de agressões contra mulheres e minorias que desidrata qualquer tentativa de defesa baseada em “liberdade de expressão”.
A máscara que caiu: Racismo nos Bastidores
O escudo identitário de Geremias ruiu diante de um depoimento exclusivo recebido pelo Portal Caso de Política. Uma leitora, que por medo da postura “vingativa” do parlamentar pediu sigilo absoluto, revelou o verdadeiro Geremias por trás das câmeras. Há cerca de três anos, o “professor” teria tentado impedir o relacionamento da denunciante com um homem negro, disparando frases abjetas:
“Você é branca… ele é preto do cabelo ruim, não combina com você que é uma lady”.
A denunciante afirmou que Geremias Mascarenhas a ofendeu em diversos outros aspectos de sua vida pessoal e moral, demonstrando uma agressividade que atinge a dignidade da mulher de forma ampla. Ela revelou possuir ainda mais relatos graves, mas o pânico de sofrer represálias a impede de detalhar tudo agora. Esse histórico de racismo estético e moral desmente a farsa montada por Geremias na rádio, onde ele tentou usar a cor da própria mãe como salvo-conduto para suas ofensas.
O rastro de vítimas: Misoginia e Autoritarismo
As manifestações enviadas a este portal revelam que Yure Ramon é apenas a mais recente vítima de um padrão de comportamento. A vereadora de Barreiras, Carmélia da Mata, expôs a face agressiva do parlamentar, revelando que ele ataca sistematicamente quem não se curva aos seus interesses, incluindo a deputada estadual Jusmari Oliveira e ela própria.
O relato de Fernanda Sá Teles, ex-prefeita de Wanderley, corrobora o histórico. Ela afirma que foi humilhada por Geremias “como mulher, como mãe e como esposa”, e que o vereador vive de “difamar e caluniar cidadãos de bem”. Fernanda celebrou o fato de que as lideranças regionais finalmente “acordaram” para a conduta de Geremias.
Unanimidade institucional e o setor produtivo
A rede de repúdio a Geremias uniu o Legislativo regional e o setor privado. A Distribuidora DG, representando o setor produtivo de Barreiras, emitiu nota classificando o racismo como um “crime inaceitável” e exigindo punição severa. No campo político, o isolamento é total:
- Câmara Municipal de Wanderley: Em um ato de higiene ética, a própria Casa de Geremias o repudiou oficialmente, afirmando que suas falas atingem valores essenciais da democracia.
- Elias Borja (Professor Elias): Presidente da Câmara de Riachão das Neves, reafirmou a luta contra o racismo e a desumanização na política.
- Câmara de Barreiras e Vereadores: Notas de Irma Silma, João Felipe, Drª Graça Melo, Adriano Stein, Delmah Pedra e Adriano Stein condenam a “violência simbólica” de Mascarenhas.
- Instituto Vozes Fluidas: Alertou para a responsabilidade ética de agentes públicos e o perigo da estigmatização de corpos periféricos.
Abandono de Função e Repercussão Jurídica
Geremias admitiu na rádio que usa Barreiras como “vitrine” para sua pré-candidatura a deputado estadual (projeto que já admitia em posts desde 2023). O que ele não explicou é como concilia essa “carreira de influenciador do ódio” com o salário que recebe em Wanderley para cumprir 44 horas semanais (8h48 diárias). O uso do mandato para promoção pessoal em outra cidade é um claro desvio de finalidade.
O caso segue ganhando repercussão jurídica. Com o apoio de diversas Câmaras Municipais e institutos de direitos humanos, a representação contra Geremias Mascarenhas por quebra de decoro e injúria racial (agora equiparada ao racismo pela Lei Federal nº 14.532/2023) ganha um peso político que dificilmente poderá ser ignorado pelos órgãos de fiscalização do Estado. Enquanto Yure Ramon sustenta o rigor da Lei de Responsabilidade Fiscal exigindo transparência, Geremias Mascarenhas termina o dia isolado, confrontado pelo Código Penal e repudiado pelos seus próprios pares.
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