Print da trasmição da Oeste FM 28052026
Em entrevista marcada por contradições na Oeste FM, vereador de Wanderley tenta usar o diploma de historiador para camuflar ataques discriminatórios, enquanto novas denúncias e o abandono de sua própria Câmara revelam o isolamento de um projeto pautado pelo ódio.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Em uma tentativa desesperada de contenção de danos, o vereador de Wanderley, Geremias Mascarenhas (União Brasil), utilizou os microfones da rádio Oeste FM nesta quinta-feira (28) para desfiar um roteiro de cinismo e distorção. Ao tentar convencer os ouvintes e a população de que suas ofensas contra Yure Ramon seriam uma forma de “enaltecimento”, Geremias não apenas insultou a inteligência da população regional, como foi atropelado pela realidade: uma denúncia de racismo explícito e o repúdio institucional da própria Câmara que o remunera.
A falácia do “Elogio” e o professor da exclusão
Na entrevista ao radialista Marcelo Ferraz, Geremias posou de “professor de História letrado”, citando a Revolta dos Malês para justificar sua “análise”. Contudo, as 22 transcrições de seus vídeos desmentem a farsa.

Geremias não enaltece; ele patologiza. Ele utilizou a cor e o corpo de Yure para rotulá-lo como “agressivo” devido a supostos “traumas” (Vídeo 5), uma retórica eugenista que tenta reduzir o homem negro a um objeto de estudo social. Ao rebaixar a presidência da maior cidade do Oeste ao nível de um “pequeno poder” (Vídeo 6), Geremias revela uma mentalidade colonial de quem busca restaurar hierarquias de cor e classe através do estigma.
A máscara que caiu: Medo, Vingança e Ofensas Morais
O escudo identitário de Geremias ruiu diante de um depoimento exclusivo recebido pelo Portal Caso de Política. Uma leitora, que por medo da postura “vingativa” do parlamentar pediu sigilo absoluto, revelou o verdadeiro Geremias por trás das câmeras. Há três anos, o “professor” teria tentado impedir o relacionamento da denunciante com um homem negro, disparando frases abjetas:
“Você é branca… ele é preto do cabelo ruim, não combina”.
Ao rotular a mulher como uma “lady” que não deveria se misturar com “aquelas pessoas”, Geremias expôs que seu suposto orgulho negro é uma fantasia eleitoral.
A denunciante afirmou que Geremias Mascarenhas a ofendeu em diversos outros aspectos de sua vida pessoal e moral, demonstrando uma agressividade que atinge a dignidade da mulher de forma ampla. Ela revelou possuir ainda mais relatos graves sobre o comportamento do parlamentar, mas o pânico de sofrer represálias a impede de detalhar tudo neste momento.
Abandono de função e pária institucional
Geremias admitiu na rádio que usa Barreiras como “vitrine”. O que ele não explicou é como concilia essa “carreira de influenciador do ódio” com o salário que recebe em Wanderley para cumprir 44 horas semanais (8h48 diárias). O tempo gasto produzindo vídeos de ataque é, na prática, um desvio de finalidade.

O isolamento do vereador atingiu o ápice com a Nota de Repúdio da Câmara de Wanderley. Quando a sua própria Casa afirma que suas declarações “ultrapassam os limites do respeito e da ética”, Geremias deixa de ser um político polêmico para se tornar um pária. Seu projeto de poder, admitido em posts desde 2023 em suas próprias redes sociais, agora rui sob o peso de sua própria conduta.

O fim da impunidade: Racismo não é “Mimimi”
Ao classificar a indignação social como “geração mimimi”, Geremias tenta minimizar o que a Lei Federal nº 14.532/2023 trata como crime. Injúria racial é racismo, é inafiançável e é imprescritível. Sua soberba intelectual e a tentativa de usar o diploma de historiador não servem de licença para agredir a honra alheia. O vereador de Wanderley parece não entender que o que ele enfrenta não é uma perseguição, mas a aplicação rigorosa da lei e o asco de uma sociedade que não aceita mais o preconceito fantasiado de erudição.
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