TRE BA dá 5 dias para ACM Neto e Bruno Reis explicarem repasses da Prefeitura de Salvador a perfis de fofoca
Foto: Ascom/Prefeitura de Salvador
Tribunal determina citação de lideranças políticas por suspeita de uso da máquina municipal e agências de publicidade para impulsionar campanha e atacar Jerônimo Rodrigues.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A disputa pelo Governo da Bahia ganhou contornos jurídicos severos. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) estabeleceu o prazo de cinco dias para que o ex-prefeito ACM Neto e o atual prefeito de Salvador, Bruno Reis (ambos do União Brasil), apresentem defesa em uma representação por conduta vedada a agente público.
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A ordem judicial, assinada pelo desembargador eleitoral substituto Isaías Vinícius de Castro Simões, surge após o ajuizamento de uma ação pela coligação adversária Mais Bahia, Mais Brasil. Com a queda do segredo de justiça, o processo passou a detalhar uma suposta engrenagem de desvio de finalidade na estrutura de comunicação da Prefeitura de Salvador em benefício direto da pré-candidatura de ACM Neto e em detrimento do governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT).
Contratos sob suspeita e os alvos digitais
O eixo central da acusação aponta que recursos e serviços geridos pela administração municipal teriam sido canalizados, de forma direta ou por meio de subcontratações de agências de publicidade, para páginas de entretenimento e fofoca nas redes sociais.
O documento cita nominalmente perfis de grande repercussão digital:
- @fofocasalvador
- @kikikisalvador
- @lucasfofoquei
- @comediabaiana
- @fofoqueibrasiloficial
Segundo a coligação autora da ação, essas páginas teriam atuado de maneira orquestrada para disseminar conteúdos favoráveis à gestão soteropolitana e à imagem de ACM Neto, direcionando simultaneamente postagens críticas e ataques ao governo estadual – incluindo narrativas direcionadas ao andamento de obras estruturantes, como a Ponte Salvador-Itaparica.
Para embasar o pedido de investigação profunda, a representação destaca três decretos de suplementação orçamentária emitidos pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), que somam cifras próximas a R$ 40 milhões em remanejamentos de verbas.
A notificação formal obriga a defesa dos representados a apresentar elementos contábeis e contratuais que desvinculem as verbas públicas de publicidade institucional de eventuais impulsionamentos políticos na internet. Além da interpelação dos réus, o processo foi encaminhado à Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) para emissão de parecer técnico.
O escrutínio do TRE-BA sinaliza uma vigilância redobrada sobre a fronteira tênue entre a propaganda institucional de governos e o marketing político de campanha antecipada. Com prazos curtos e dados de conexões e notas fiscais sob análise, o embate político na Bahia migra com força para o plenário da Justiça Eleitoral.
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