Yure Ramon é reeleito presidente da Câmara de Barreiras com ampliação da base
Com 10 votos a favor, o chefe do Legislativo municipal blinda sua gestão contra investidas do Executivo, supera manobras da base governista e garante mais um biênio no comando da Casa com direito a recorde histórico.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A soberania do Legislativo barreirense mandou um recado cristalino na noite desta quinta-feira (1): quem dita o compasso da Casa de Leis é o plenário, e não a antessala da prefeitura. Em uma sessão solene marcada por cortinas de fumaça, tentativas de boicote e o tradicional desespero de última hora da tropa de choque governista, o atual presidente Yure Ramon atropelou a oposição na Casa de Leis e saiu politicamente monumental.
Ele não apenas garantiu a recondução ao cargo para o biênio 2027/2028 com 10 votos favoráveis, oito contrários e a abstenção solitária do vereador Adriano Stein, como ainda ampliou sua base em relação ao placar anterior – um feito notável para quem os áulicos do poder tentavam pintar, em vão, como isolado.
Se a aritmética da política costuma ser implacável, na aldeia barreirense ela funcionou como um atestado de miopia crônica por parte do grupo do prefeito Otoniel Teixeira. A estratégia da base governista seguiu a cartilha da confusão: incapazes de costurar acordos, articular palcos ou sequer ter o brio de montar uma chapa competitiva, optaram pelo clássico figurino do “não brinco mais”.
Alegando supostas arbitrariedades, preferiram o choro preventivo à disputa democrática no voto. Faltou prumo político, faltou retórica e sobrou desculpa de almanaque para justificar o fracasso retumbante na tentativa de tutelar o Parlamento.
A ilusão do sub judice e as barreiras jurídicas da oposição
Enquanto a oposição tentava transformar o plenário em sucursal de escritório de advocacia, empilhando teses jurídicas requentadas sobre prazos de editais e espalhando a narrativa de que a eleição estaria sob o limbo do sub judice, o tiro de festim saiu pela culatra.
O bloco aliado correu esbaforido para o colo do Tribunal de Justiça da Bahia em busca de milagres cautelares – todos solenemente enquadrados e negados pela Justiça em uma sequência de três derrotas acachapantes num único dia.
Quiseram tratorar a mesa diretora na base do grito e das liminares cartoriais, mas trombaram com a rocha da realidade institucional: a vitória política de Yure já estava pavimentada pela maioria, deixando os oposicionistas a ver navios, abraçados aos próprios naufrágios.
Em entrevista concedida ao portal Caso de Política, o presidente reeleito escancarou a desorganização alheia com a fineza de quem não precisa elevar o tom para vencer:
“Eles não conseguiram formar chapa, não se entenderam nem entre eles”, ironizou, expondo o castelo de cartas do adversário.
Reafirmando a solidez do seu bloco e a altivez de um Parlamento que recusou coleiras, Yure disparou:
“Aqui no nosso grupo é um grupo coeso, aqui ninguém se vende, aqui tá todo mundo correndo atrás para que Barreiras seja o mais importante”, além de cravar o epitáfio da submissão: “A Câmara de Barreiras não é mais um puxadinho da prefeitura”.
Para a nova composição da Mesa Diretora, que terá a vereadora Tetéia Chaves como vice-presidente, Delmah Pedra como primeira-secretária e Silma Rocha como segunda-secretária, o placar de 10 a 8 sela uma página de ouro na crônica política local. Yure Ramon espelha o feito histórico do ex-vereador e candidato a deputado estadual Tito ao alcançar o comando da Casa por duas vezes consecutivas, transformando o palavrório estéril da base governista em mero combustível para sua própria consagração.
No fim das contas, a tentativa de esvaziar o pleito revelou-se um tiro no pé com mira telescópica: uniu ainda mais a tropa governada por Yure e provou que, na praça de Barreiras, a tentativa de amansar o Legislativo acabou resultando em um leão rugindo mais alto do que nunca.
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