Geddel Vieira Lima teria exigido R$ 1 milhão de Uldurico Jr. após derrota nas urnas, revela delatora
Ex-diretora de presídio na Bahia, que facilitou fuga de 16 detentos para facção criminosa, detalha pressão de ex-ministro e esquema de corrupção que sustentava seu cargo
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A colaboração premiada de Marivone Ferreira da Silva, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, trouxe à tona uma cobrança de R$ 1 milhão feita pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) ao ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB). O depoimento, prestado no âmbito da Operação Duas Rosas em março de 2026, revela que o montante foi exigido logo após as eleições municipais de outubro de 2024, como pagamento pelo suporte do cacique emedebista à candidatura de Uldurico à prefeitura de Teixeira de Freitas.
Prisão e liberdade sob condições

Marivone Ferreira foi presa preventivamente em 11 de março de 2026, durante uma fase ostensiva da operação que investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ela permaneceu custodiada por pouco menos de uma semana, sendo solta em 17 de março de 2026 após a homologação de sua delação premiada pela Justiça. A liberdade foi concedida sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, após ela se comprometer a entregar provas sobre o esquema de influência política e o funcionamento da rede criminosa no extremo sul da Bahia.
O escândalo da fuga e o elo com o PCE
A trajetória de Marivone é marcada por um dos episódios mais graves do sistema prisional baiano: a fuga de 16 detentos em junho de 2024. Investigações detalhadas pelo Ministério Público (MP-BA) em julho de 2025 confirmaram que a então diretora facilitou a ação ao desligar as câmeras de segurança e permitir a entrada de esmerilhadeiras usadas para serrar as grades.
O beneficiário direto foi Wanderson de Andrade Silva, o “Buba”, líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Segundo o MP, Marivone mantinha uma relação de subordinação à facção, operando a unidade prisional de acordo com os interesses do crime organizado.
Proteção política e dívidas de campanha
Em seu depoimento de março de 2026, a delatora afirmou que sua permanência no cargo de diretora era garantida por uma “blindagem política” articulada por Uldurico Jr. Em troca, ela auxiliaria na logística de interesses do grupo. Após a derrota de Uldurico nas urnas em 2024, Geddel teria passado a cobrar agressivamente o valor de R$ 1 milhão, tratando a quantia como uma “fatura em aberto” pela aliança partidária.
Marivone relatou que presenciou reuniões e diálogos onde a pressão financeira era evidente, expondo como cargos públicos no sistema prisional eram usados como moeda de troca entre políticos e grupos criminosos.
Contraponto das defesas
As defesas de Geddel Vieira Lima e Uldurico Jr. negam veementemente as declarações de Marivone Ferreira. Os advogados sustentam que a delatora busca benefícios penais ao criar narrativas sem provas documentais. O processo segue em segredo de Justiça, e a Polícia Civil trabalha agora para cruzar os dados financeiros da campanha de 2024 com os depoimentos colhidos.
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