Rider Castro e Allan do Alambique propõem auditoria externa para dívida de 104% em Barreiras e aprovam lei que equipara fibromialgia à deficiência na cidade.
Parlamentares articulam saída técnica para impasse de empréstimo milionário e questionam transparência do Executivo.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão ordinária da Câmara de Barreiras, realizada nesta segunda-feira (01), foi marcada por uma ofensiva técnica liderada pelos vereadores Rider Castro e Allan do Allanbick. Em discursos que convergiram para a análise fiscal do município, os parlamentares propuseram a contratação de uma consultoria independente para avaliar a real saúde financeira da prefeitura antes da votação do empréstimo de R$ 140 milhões. A articulação, fundamentada em dados que apontam um endividamento de 104%, foi recebida como uma alternativa para destravar o atual impasse político na Casa.
Proposta de auditoria e crítica à subserviência
Primeiro a utilizar a tribuna para tratar do tema, o vereador Rider Castro defendeu que o debate sobre o crédito municipal deve ser “descontaminado” de interesses eleitorais. Castro revelou que a base de apoio ao prefeito Otoniel Teixeira não foi consultada sobre os termos do contrato, tomando conhecimento do valor pelas redes sociais. “Fazer parte de um grupo não significa subserviência. O mandato é fruto de confiança popular, e não podemos anular nossa capacidade de questionar”, afirmou o parlamentar.
Rider sugeriu que a Câmara ou a Prefeitura contratem uma empresa de consultoria nacional para responder se o município possui, de fato, liquidez para suportar a nova dívida. Segundo ele, a aprovação do crédito pela Caixa Econômica não garante saúde financeira, podendo ser baseada apenas em garantias patrimoniais. “Precisamos de uma análise técnica que avalie o risco de colapso fiscal futuro e o impacto nas próximas gestões”, pontuou.
Diagnóstico de 104% de endividamento e transparência
Dando continuidade ao diagnóstico fiscal, o vereador Allan do Allanbick apresentou números que corroboram a tese de cautela. Allan revelou que o índice de endividamento de Barreiras atingiu 104%, ultrapassando significativamente a média de estados e municípios vizinhos. Ele citou o rebaixamento da nota de crédito da cidade (de B para C) e questionou o contrato de Parceria Público-Privada (PPP) do Hospital Municipal.
“O poder público delegou à iniciativa privada a aquisição de equipamentos e manutenção operacional. Por que então novos aportes são necessários?”, questionou Allan. O parlamentar rebateu acusações de “politicagem”, reiterando que sua atuação é guiada pelos dados fornecidos pelos próprios secretários municipais.
“Contra fatos não há argumentos. Nossa responsabilidade é com o que deixaremos para o futuro da cidade”, declarou.
Apoio institucional e reconhecimento da fibromialgia
Apesar do tom crítico na área fiscal, a sessão trouxe conquistas sociais. Rider Castro celebrou a aprovação unânime do projeto de sua autoria que reconhece as pessoas com fibromialgia como pessoas com deficiência (PcD). Allan do Allanbick, por sua vez, destacou a evolução do Legislativo sob a presidência de Yure Ramon, citando o acesso inédito dos vereadores a cursos de qualificação técnica.
Ambos os parlamentares fecharam seus pronunciamentos com mensagens de solidariedade a Yure Ramon frente aos ataques racistas sofridos. Rider defendeu o respeito institucional, enquanto Allan, em um momento de sensibilidade pessoal, exaltou o papel da família de Ramon no amparo ao presidente, reforçando que a dignidade e a palavra empenhada são os maiores legados de um homem público.
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