João Felipe mobiliza Barreiras pelo fim da escala 6x1
Vereador levou debate ao Centro de Abastecimento em defesa da dignidade do trabalhador; em Brasília, colegiado aprovou redução da jornada semanal para 40 horas e garantia de duas folgas.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A mobilização pelo fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso ganhou musculatura em Barreiras e no Congresso Nacional nesta semana. Enquanto o vereador João Felipe (PCdoB) realizava um “corpo a corpo” com trabalhadores no Centro de Abastecimento (CAB) no último sábado (23), a Câmara dos Deputados deu um passo decisivo nesta quarta-feira (27) ao aprovar, em comissão especial, o parecer que extingue o modelo 6×1.
No contato direto com feirantes e consumidores, João Felipe reforçou as críticas ao sistema atual, classificando-o como um mecanismo de exaustão e adoecimento.
“A escala 6×1 destrói famílias e a saúde mental. O trabalhador acumula cansaço enquanto outros acumulam lucro. É uma humilhação sair de casa sem ver os filhos acordados e voltar quando já dormem. O trabalhador não é máquina”, pontuou o parlamentar, ecoando o sentimento que impulsionou a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em Brasília.
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O cenário no Legislativo
O parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA) passou pelo crivo da comissão especial com 34 votos favoráveis e apenas 4 contrários. O texto unifica as propostas de Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), estabelecendo a redução do teto constitucional de 44 para 40 horas semanais, com a obrigatoriedade de dois dias de descanso semanal.
A transição para o novo modelo será escalonada: a jornada cai para 42 horas após 60 dias da promulgação e atinge o limite de 40 horas após um ano. O projeto segue agora para o Plenário em regime de urgência. A bancada do PL, que inicialmente resistia à medida, mudou de estratégia e passou a defender a implementação imediata de uma escala 4×3 (quatro dias de trabalho por três de folga), buscando pautar um avanço ainda mais célere que o sugerido pelo governo.
Especificidades do texto
A proposta aprovada abre margem para escalas flexíveis em serviços essenciais, como saúde e segurança, desde que as folgas ocorram dentro do mesmo mês. Além disso, profissionais de nível superior classificados como “hipersuficientes” poderão negociar modelos específicos de jornada. Para João Felipe, a convergência entre a pressão popular nas ruas e a movimentação parlamentar sinaliza uma reparação histórica necessária para garantir qualidade de vida a quem produz a riqueza do país.
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