Lula defende sustentabilidade do agro e propõe Brasil como motor da energia limpa na Europa
Lula durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hanôver. Galeria do Palácio de Herrenhausen, Alemanha. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Na abertura da Hannover Messe, presidente rebate críticas ao agronegócio nacional, condena barreiras aos biocombustíveis e apresenta potencial mineral e energético para a descarbonização global
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a cerimônia de abertura da Hannover Messe, na Alemanha, neste domingo (19), para realizar uma defesa enfática da sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Lula afirmou que o Brasil é o parceiro estratégico capaz de viabilizar a descarbonização da indústria europeia, desde que o bloco supere “narrativas falsas” sobre a produção agrícola do país e interrompa medidas protecionistas contra os biocombustíveis.
Defesa do agro e biocombustíveis
O mandatário destacou que a agricultura brasileira é alvo de preconceitos que não condizem com a realidade produtiva atual. Segundo Lula, as restrições impostas pela União Europeia aos biocombustíveis são ambientalmente contraproducentes. Ele reforçou que o etanol e o biodiesel brasileiros são produzidos de forma sustentável, sem comprometer florestas ou a produção de alimentos, e que o país já opera com misturas elevadas (30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel), servindo de modelo global.
Neoindustrialização e minerais críticos
O discurso em Hannover também serviu como vitrine para o programa de neoindustrialização brasileiro. Lula apresentou o país não apenas como exportador de commodities, mas como detentor de reservas minerais essenciais para a tecnologia e a transição energética:
- Nióbio: maior reserva mundial;
- Grafita e Terras Raras: segunda maior reserva;
- Níquel: terceira maior reserva.
O objetivo do governo é atrair parcerias que envolvam transferência de tecnologia para o processamento desses minerais em solo nacional, integrando o Brasil à cadeia global da Indústria 4.0.
Transição energética e segurança
Com uma matriz elétrica 90% limpa, Lula assegurou que o Brasil pode produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo, o que ajudaria a União Europeia a reduzir custos operacionais e cumprir metas climáticas. Ele ressaltou que a consistência nas renováveis protegeu o país da crise de oferta de petróleo que atinge outras nações devido a instabilidades geopolíticas.
Trabalho, IA e Jornada 6×1
No campo social, o presidente vinculou o desenvolvimento tecnológico à preservação de direitos. Ao falar sobre Inteligência Artificial, Lula alertou para a necessidade de ética e proteção ao trabalhador. Nesse contexto, defendeu a extinção da escala de trabalho 6×1, argumentando que os ganhos de produtividade da indústria moderna devem permitir dois dias de descanso semanal, melhorando a qualidade de vida e o mercado consumidor.
Críticas ao cenário internacional
Lula encerrou sua participação com críticas contundentes à governança global. Questionou o gasto de US$ 2,7 trilhões em guerras, enquanto o combate à fome carece de recursos, e cobrou uma “refundação” da Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente também reafirmou a expectativa pela entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, visando à criação de um mercado integrado de US$ 22 trilhões.
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