Zito Barbosa e Otoniel Teixeira 08052026
Inconsistência documental revela “realidade paralela”: gestão de Otoniel Teixeira (União Brasil) informa projeto como concluído ao Governo Federal, enquanto assina 6º aditivo de atraso em âmbito municipal.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Uma severa discrepância entre registros oficiais revela como a Prefeitura de Barreiras tem gerido as informações sobre suas obras públicas. No mesmo dia em que o Diário Oficial do Município (12/06/2026) publicou o extrato do sexto termo aditivo ao contrato nº 225/2023 – prorrogando a construção de uma praça e melhorias habitacionais no bairro Santa Luzia até dezembro de 2026 -, os dados do Governo Federal apontam que a intervenção já foi “concluída” em 2024, ainda sob a gestão do ex-prefeito Zito Barbosa.

A manobra documental estende por mais seis meses o cronograma da Construtora e Serviços Chagas Ltda, em um contrato originalmente previsto para durar apenas 180 dias quando foi assinado em 2023 por Zito Barbosa. A justificativa para o novo adiamento, já sob o comando de Otoniel Teixeira, é a existência de um “saldo financeiro” do convênio federal. Contudo, o status de CONCLUÍDO que consta no Portal do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não é fruto de uma atualização automática: ele é alimentado por relatórios de execução e prestação de contas enviados pela própria administração municipal aos sistemas de Brasília.
Estratégia de captação e contradição oficial
Ao reportar ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal que as metas do Santa Luzia foram 100% atingidas ainda em 2024, a Prefeitura de Barreiras assegurou que o município permanecesse com “ficha limpa” nos cadastros federais. Estar em dia com obras de ciclos anteriores do PAC é um requisito técnico frequente para a captação de novos recursos, como os repasses do “Novo PAC” registrados em setembro de 2024 para eixos de esporte e lazer. Na prática, a gestão formalizou uma conclusão no papel para Brasília, enquanto mantém o canteiro de obras inacabado na rua.

Herança política e sucessão de aditivos
O projeto, financiado majoritariamente pela União, remonta a um convênio de 2009 (Operação Caixa 0310522-69) e atravessou os dois mandatos do ex-prefeito Zito Barbosa (União Brasil), que iniciou o contrato atual em 2023. Otoniel Teixeira, sucessor direto e aliado do mesmo partido, assumiu em janeiro de 2025 e agora assina a sexta prorrogação de um projeto que o próprio grupo político reportou como “finalizado” no ano passado. Apesar de o mesmo grupo comandar a cidade há quase uma década, a realidade física do bairro Santa Luzia diverge frontalmente da prestação de contas enviada pela prefeitura aos órgãos concedentes.

O uso de aditivos sucessivos para consumir o “saldo existente” mascara a dificuldade da gestão em converter verba federal em benefício real dentro do prazo prometido. Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Barreiras não se manifestou sobre os motivos de ter reportado a conclusão da obra nos sistemas federais enquanto o cronograma físico ainda demanda prorrogações que avançam até o final de 2026.
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