ala bolsonarista condiciona apoio a ACM Neto a reciprocidade por Flávio
Reportagem de O Globo revela racha estratégico na direita baiana; grupo exige que ex-prefeito de Salvador abandone a neutralidade e peça votos para o senador.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A aliança entre o PL e ACM Neto (União) na corrida pelo governo da Bahia enfrenta um expressivo tensionamento interno. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (12), integrantes da base bolsonarista no estado resistem a entrar na campanha do ex-prefeito. O nó górdio da questão é a ausência de um apoio explícito de Neto à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, uma vez que o carlista optou por marchar com Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno.
Nos bastidores, o pragmatismo político desenhou um acordo prevendo que ACM Neto apoiaria Caiado inicialmente, postergando uma possível união com Flávio para um eventual segundo turno contra o presidente Lula. No entanto, o “baixo clero” e lideranças ideológicas do PL pressionam por uma definição imediata, ignorando inclusive a orientação da cúpula da família Bolsonaro. Em maio, o deputado Eduardo Bolsonaro já havia sinalizado o apoio a Neto, sugerindo que a base evitasse “torcer o nariz” para a composição.
“Apoio não é automático”
A médica Raíssa Soares, expoente da ala conservadora e pré-candidata à Câmara Federal, verbalizou o descontentamento do grupo, pontuando que a mobilização da direita não é uma “carta branca”.
“A vinda de Flávio Bolsonaro à Bahia mostrou que existe uma direita viva. Se ACM Neto quer o nosso apoio, precisa entender que apoio não é automático e que essa base não vai entrar numa campanha sem diálogo”, advertiu Soares.
O deputado estadual Diego Castro (PL) corroborou a análise, interpretando a agenda de Flávio no estado – que incluiu uma visita à Bahia Farm Show – como uma demonstração de força e capilaridade. “Existe uma direita organizada no Nordeste, com força nas ruas e disposição para enfrentar o PT”, defendeu Diego Castro. Em contrapartida, o presidente estadual da legenda, João Roma, mantém a defesa da realpolitik: ex-ministro de Bolsonaro, Roma integra a chapa de Neto como candidato ao Senado, buscando a convergência das forças de oposição.
A análise de Imbassahy: “O PT aprendeu a manejar os instrumentos”
O cenário de incerteza ganha contornos ainda mais complexos com a análise do ex-ministro Antonio Imbassahy. Em entrevista recente ao BNews, Imbassahy reconheceu a expressão de ACM Neto, mas alertou para a resiliência da máquina petista no estado. Segundo ele, o PT não teria lançado uma chapa “puro-sangue” se não vislumbrasse chances reais.
“Indegavelmente, o ACM Neto é o principal líder – da oposição – pela sua capacidade. Mas ele enfrenta, como enfrentou no passado, uma parada dura, né? Porque na Bahia o PT aprendeu a manejar os instrumentos do governo, da política”, avaliou Imbassahy.
O ex-ministro destacou que a estrutura governista, tanto estadual quanto federal, exerce uma influência decisiva, especialmente em regiões onde a dependência do Estado é maior.
“Eles fizeram essa chapa porque avaliaram que tem perspectiva concreta de vitória. O PT jamais poderia deixar de lado essa perspectiva de manter o poder na Bahia. É uma eleição equilibrada, não há dúvida nenhuma. É impacto técnico”, concluiu, referindo-se aos levantamentos mais recentes que apontam a polarização acirrada.
Polarização e o cenário das urnas
O vácuo deixado por ACM Neto na Bahia Farm Show nesta segunda-feira (08), onde Flávio Bolsonaro discursou para o agronegócio, acentuou o desgaste. No evento, o senador adotou um tom incisivo contra a gestão petista:
“Vocês carregam esse Brasil nas costas e não merecem ter um presidente que trata o agro como se fossem fascistas, como se fossem bandidos”, afirmou.
A pressão sobre ACM Neto ganha contornos de urgência diante do equilíbrio estatístico. A última pesquisa Genial/Quaest confirma o cenário de empate técnico entre Neto e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). Com a disputa em aberto, o engajamento da militância bolsonarista e a capacidade de enfrentar a estrutura governista citada por Imbassahy tornam-se ativos indispensáveis para as pretensões do União Brasil no estado.
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