Galo duro na lenha requer paciência
Histórico recente de independência da Câmara mostra que o “facão” do Executivo pode estar cavando o próprio abismo; paralelo com quedas de Collor e Dilma acende alerta em Barreiras.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A história política do Brasil é uma professora implacável e suas lições são claras: um governante pode até sobreviver a crises econômicas, mas raramente resiste ao isolamento político. Fernando Collor e Dilma Rousseff não caíram apenas por questões técnicas – o confisco da poupança ou as pedaladas fiscais -, mas porque perderam a sustentação no parlamento. Em Barreiras, o prefeito Otoniel Teixeira (União Basil) parece ignorar esses sinais, trilhando um caminho de confronto que o afasta da harmonia necessária para governar.
Diz-se nos bastidores que “vereador isolado é apenas um vereador, mas quando se juntam, decidem o destino de um governo”. A atual legislatura de Barreiras parece ter compreendido essa força. O que antes era uma base dócil e do amém, hoje se comporta como um corpo independente: escolheram uma presidência que não reza pela cartilha do Executivo, impuseram as emendas impositivas e já demonstraram força ao derrubar vetos do prefeito. Otoniel, ao apostar no “facão” das exonerações para dobrar o Legislativo sobre o empréstimo de R$ 140 milhões, pode ter quebrado o último elo de confiança que lhe restava.
O questionamento
O Caso de Política, que por tradição transita entre “gregos e baianos”, ouviu um influente vereador sob a condição de absoluto anonimato. Questionado se o prefeito estaria passando dos limites, a resposta foi seca:
“Não é só pelas exonerações, é pelo desrespeito à inteligência desta Casa e ao povo que aqui é representado”.
Ao ser questionado frontalmente se já existe ambiente para avançar na fiscalização e quem sabe para uma ruptura institucional, o parlamentar não respondeu com palavras. Limitou-se a um sorriso enigmático e soltou uma máxima que define o atual estágio da política barreirense: “Galo duro na lenha requer paciência”. A frase ecoa como um aviso estratégico: o Legislativo não tem pressa, prefere deixar o governo “cozinhar” na própria crise que gerou até que o ponto de maturação política seja atingido.
Do isolamento ao risco institucional
A paciência citada nos bastidores não deve ser confundida com inércia. O avanço do desequilíbrio fiscal – com uma dívida confessada de R$ 955,5 milhões e a denúncia de “maquiagem contábil” feita pelo perito Carlos Prado – oferece o combustível técnico que, unido à irritação política, pode tomar proporções de uma cassação. Na política, quando o “sangue” dos aliados é derramado – como ocorreu com a demissão de 46 pais e mães de família indicados pela base -, o caminho de volta costuma ser bloqueado.
O polêmico projeto do empréstimo, resumido a seis artigos e apelidado de “cheque em branco”, é o pretexto que faltava para que o Legislativo exerça sua prerrogativa de fiscalização máxima. Se Otoniel continuar priorizando a retaliação em vez do diálogo, poderá descobrir que a lenha na fogueira da Câmara queima devagar, mas com uma intensidade que nenhum marketing eleitoral de Zito Barbosa conseguirá apagar.
O isolamento é o primeiro passo para o abismo, e em Barreiras, o clima é de quem já começou a descer a ladeira.
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