Vídeos desmentem Walter Mariano e provam que prefeito armou emboscada antes de agredir vereador
Imagem: Print do vídeo
Imagens externas registram espera estratégica do prefeito e seguranças ao lado de caminhonetes antes de investida contra Eliton da Multicell (PSB). Vídeo da Câmara prova que críticas foram administrativas, e não pessoais.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O portal Caso de Política obteve elementos contundentes que provocam uma reviravolta na investigação da agressão física cometida pelo prefeito de Correntina, Walter Mariano (União Brasil), contra o vereador Eliton da Multicell (PSB). O cruzamento de três ângulos de câmeras de monitoramento com registros da sessão plenária e o pronunciamento oficial do gestor desmascara a narrativa de “legítima defesa da honra” e “provocação física” sustentada pelo prefeito.
A “tocaia” na calçada e o desmonte da agressão prévia
Em vídeo de esclarecimento publicado em suas redes sociais, Walter Mariano justificou sua conduta alegando uma reação imediata:
“Fui ofendido na porta do estabelecimento. Fui empurrado, fui ofendido pessoalmente por esse elemento”.
Entretanto, imagens inéditas das câmeras externas da loja LS Móveis revelam uma dinâmica de premeditação. O registro visual mostra que o prefeito e três seguranças já ocupavam a calçada minutos antes da chegada do parlamentar, em uma espera estratégica sob a sombra de uma árvore.
De acordo com o registro do vídeo, às 14h02:17, o vereador Eliton entra no estabelecimento de forma direta. As câmeras provam que não houve qualquer contato físico, empurrão ou discussão na porta. O grupo liderado pelo prefeito aguarda aproximadamente 35 segundos na calçada – tempo necessário para que o alvo estivesse no fundo da loja e sem rota de fuga – para então iniciar a incursão coordenada.
O cerco e a investida física
A ação interna foi rápida e executada com superioridade numérica. Enquanto um segurança monitorava a porta, o prefeito e outros dois homens avançaram contra o vereador. O vídeo do circuito interno mostra Walter Mariano desferindo uma investida física contra Eliton, tentando agarrá-lo pela parte superior do corpo. O parlamentar, em movimento de defesa, consegue se desvencilhar e foge em direção à rua, sendo perseguido pelo grupo.
A tese da “Honra Familiar” confrontada pelo vídeo da Câmara
Em sua defesa, Mariano tentou deslocar a gravidade do fato para o campo emocional, apresentando-se como um pai ultrajado.
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No vídeo, o prefeito alega:
“Quando minhas filhas são difamadas com objetivo baixo, desrespeitoso e sujo […] quando se trata da honra da família […] das minhas filhas sendo difamadas por um indivíduo sem escrúpulo nenhum dentro de um plenário”.
Contudo, o vídeo da sessão plenária que possivelmente teria motivado a fúria do gestor revela um discurso estritamente político e administrativo. No registro, Eliton da Multicell questiona a aplicação de R$ 110 milhões em recursos públicos e critica o fato de o prefeito ter levado o casamento da filha para a cidade de Mucugê, ironizando-o como “Mariano Mucugê”.
A análise das imagens da Câmara confirma que a crítica foi direcionada à escolha política do gestor e ao distanciamento do governo com a cidade. Em nenhum momento o parlamentar utilizou palavras de baixo calão contra as filhas do prefeito ou atacou a moral da família.
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Articulação para abafar o caso
Enquanto o vereador formalizava o Boletim de Ocorrência por lesão corporal e ameaça, o portal Caso de Política apurou que uma reunião de emergência com aliados ocorreu na sede da prefeitura. O objetivo seria traçar táticas para tentar “abafar” a repercussão do escândalo e construir a narrativa de defesa da honra que agora é confrontada pelas imagens.
O caso segue sob investigação judicial. Com a divulgação dos vídeos que provam a espera estratégica na calçada e a total ausência de agressão na porta, o prefeito Walter Mariano terá de responder por uma ação que as evidências tratam como possivelmente premeditada.
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