População vive mais, porém com avanço de doenças crônicas múltiplas
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Relatório aponta aumento expressivo de enfermidades como câncer, diabetes e doenças cardíacas, pressionando sistemas de saúde e economia global
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – As doenças não transmissíveis (DNTs) vêm transformando o cenário de saúde global e ampliando desafios sociais e econômicos. Condições como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e enfermidades pulmonares crônicas atingem hoje um número significativamente maior de pessoas do que nas gerações anteriores – e a tendência é de crescimento contínuo.
O alerta consta em relatório recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, divulgado nesta semana. O documento destaca que, embora a população esteja vivendo mais, muitos indivíduos convivem por longos períodos com múltiplas doenças crônicas, fenômeno conhecido como multimorbidade.
Segundo a entidade, essas enfermidades reduzem a qualidade de vida, limitam a capacidade produtiva e elevam os custos com saúde, impactando diretamente a economia. Apesar disso, grande parte dos efeitos pode ser evitada com políticas eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e melhoria no tratamento.
A análise reforça que investir em prevenção gera benefícios superiores ao tratamento tardio. Países que conseguem reduzir fatores de risco – como obesidade e tabagismo – não apenas salvam vidas, mas também aliviam a pressão sobre os sistemas públicos de saúde.
Os dados mostram um avanço consistente dessas doenças nas últimas décadas. Entre 1990 e 2023, a incidência de câncer aumentou 36%, enquanto a doença pulmonar obstrutiva crônica cresceu 49%. Já as doenças cardiovasculares tiveram elevação superior a 27%.
Em 2023, cerca de uma em cada dez pessoas nos países da OCDE vivia com diabetes, e uma em cada oito apresentava algum tipo de doença cardiovascular.
O relatório aponta três fatores principais para essa expansão: o crescimento da obesidade, que tem neutralizado avanços em outros fatores de risco; o aumento da expectativa de vida, que prolonga a convivência com doenças crônicas; e o envelhecimento da população, que amplia o número de pessoas em faixas etárias mais vulneráveis.
A projeção é de que, entre 2026 e 2050, os novos casos de doenças crônicas cresçam 31% apenas em razão do envelhecimento populacional. Já a multimorbidade pode aumentar até 75%, acompanhada de um crescimento superior a 50% nos gastos per capita com saúde relacionados a essas condições.
Diante desse cenário, a OCDE reforça a necessidade de políticas públicas integradas que priorizem prevenção, hábitos saudáveis e acesso a cuidados contínuos, como estratégia essencial para conter o avanço dessas doenças e seus impactos na sociedade.
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