Cúpula de Segurança de Correntina vira Polícia Política e ataca professoras com Deepfake.
Imagem de Divulgação: Jornal de Correntina
Eurípedes Beltrão e Jardel Ramos são apontados como articuladores de ofensiva com Inteligência Artificial e quebra de sigilo para abafar rombo de R$ 30 milhões no IMUPRE e “tsunami” de irregularidades na justiça.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A crise institucional em Correntina (BA) atingiu seu ponto mais crítico neste 14 de maio de 2026, expondo o uso das forças de segurança municipal como instrumento de perseguição política. Sob pressão de um “tsunami de supostas irregularidades” e de um edital de “ultimato” expedido pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), o secretário de Segurança Pública, Eurípedes Beltrão, e o comandante da Guarda Civil Municipal (GCM), Jardel Ramos, são acusados de coordenar uma campanha de linchamento virtual contra a presidente do Sindtec, Evanete Teles, e a professora Laura.
Segundo denúncia publicada pelo Jornal de Correntina, vídeos com ataques políticos, injúrias e exposição de informações funcionais passaram a circular em redes sociais ligadas ao ambiente político da gestão municipal.
A ofensiva digital é interpretada nos bastidores como uma estratégia para desviar o foco das investigações sobre o desaparecimento de R$ 30 milhões da previdência municipal (IMUPRE) e dos contratos de combustíveis de R$ 1,45 milhão envolvendo postos ligados a parlamentares.
Métodos de agressão: guerrilha digital e crimes cibernéticos
A ofensiva contra as educadoras utilizou métodos típicos de “guerrilha digital” para destruição de reputações. Com o uso de tecnologia deepfake – recurso de Inteligência Artificial capaz de manipular vozes, imagens e vídeos para simular conteúdos falsos com aparência real — materiais passaram a circular em redes sociais ligadas à gestão Mariano (União Brasil) contendo ataques pessoais e injúrias contra as servidoras.
Nos vídeos, vozes sintetizadas por IA reproduzem expressões como “falsas moralistas” e “politiqueiras”, numa tentativa de desgastar publicamente as lideranças sindicais.
O episódio avançou para um possível campo criminal após a exposição de contracheques e dados financeiros sigilosos das professoras. Como o acesso às informações é restrito aos sistemas internos da prefeitura, a suspeita de quebra de sigilo funcional e violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) passou a ocupar posição central nas denúncias de abuso de autoridade.
Quadro técnico de possíveis crimes e violações legais
Conduta identificada |
Tipificação |
Base legal |
| Ataques morais e injúrias | Injúria e difamação | Arts. 139 e 140 do Código Penal |
| Agressões contra servidoras públicas | Agravante penal em razão da função | Art. 141, II do Código Penal |
| Uso de deepfake e manipulação digital | Crime cibernético e manipulação digital | Legislação penal e digital |
| Vazamento de contracheques | Violação da LGPD | Lei nº 13.709/2018 |
| Uso de dados internos da prefeitura | Quebra de sigilo funcional | Art. 325 do Código Penal |
| Instrumentalização da segurança pública | Abuso de autoridade | Lei nº 13.869/2019 |
| Pressão contra lideranças sindicais | Atentado à liberdade sindical | Art. 8º da Constituição Federal |
O pano de fundo: corrupção e desespero administrativo
Para lideranças do Sindtec, o linchamento virtual funcionaria como uma “cortina de fumaça” institucional em meio ao agravamento das crises que cercam a gestão Mariano.
O que teria motivado a escalada dos ataques?
- Investigação do MP-BA sobre o suposto desaparecimento de R$ 30 milhões do IMUPEI;
- Apuração do TCM-BA sobre contrato de R$ 1,45 milhão envolvendo combustíveis;
- Pressão sindical e ocupação da Câmara Municipal por servidores;
- Crescente desgaste político da gestão Mariano;
- Avanço de auditorias e cobranças públicas sobre a previdência municipal.
Atualmente, a administração municipal enfrenta três frentes principais de desgaste:
- Rombo do IMUPRI: o Ministério Público da Bahia apura o déficit de R$ 30 milhões que ameaça aposentadorias de servidores;
- Escândalo dos combustíveis: o TCM-BA investiga contrato de R$ 1,45 milhão com postos ligados a um deputado federal;
- Edital de ultimato: o Tribunal de Contas enquadrou a gestão Mariano após apontar um “tsunami de supostas irregularidades” administrativas.
Reação e judicialização
A tentativa de silenciamento, contudo, provocou reação entre os servidores municipais. A ocupação da Câmara de Vereadores realizada em março consolidou a resistência da categoria diante da crise previdenciária e das denúncias envolvendo a administração municipal.

Em convocação encaminhada aos trabalhadores, lideranças sindicais alertaram que “o IMUPRE está afundando” e defenderam mobilização em defesa das aposentadorias dos servidores públicos.
A professora Laura Macedo, atingida pela exposição de dados financeiros, reagiu em vídeo nas redes sociais afirmando que “tentam nos calar com mentiras e crimes para esconder a verdade”. Segundo informações, as professores Evanete Teles e Laura Macedo avaliam acionar a Justiça para exigir perícia técnica nos vídeos produzidos com IA e responsabilização criminal dos envolvidos pela quebra de sigilo funcional.
Em Correntina, a crise ultrapassou o campo político e abriu debate sobre o uso da estrutura de segurança pública como ferramenta de intimidação institucional contra opositores e lideranças sindicais.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#CorrentinaBA #SindtecResiste #JustiçaParaAsProfessoras #RomboIMUPRE #LGPD #Deepfake #AbusoDeAutoridade #EducaçãoEmLuta #TCMBA #MPBA



