Carmélia da Mata é ofendida em plenário e servidora precisa ser contida pela guarda em Barreiras
Imagem: Print da transmissão
Vereadora denunciava crise fiscal e demissão na Tesouraria quando foi hostilizada por servidora comissionada em horário de expediente; agressora precisou ser levada a gabinete para se acalmar.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão da Câmara de Barreiras nesta segunda-feira (18) foi interrompida por um grave incidente de desrespeito ao Poder Legislativo. Enquanto utilizava a tribuna para denunciar irregularidades fiscais na prefeitura, a vereadora Carmélia da Mata foi chamada por diversas vezes de “palhaça” por Cindy Souza, presidente da AMA e servidora comissionada da gestão Otoniel Teixeira.
Devido à agressividade, gritos e ofensas proferidas da galeria, a servidora precisou ser contida por servidores da Casa e pela guarda municipal sendo retirada do plenário. Cindy Souza foi conduzida ao gabinete de uma vereadora até que se acalmasse, enquanto o presidente da Casa, Yure Ramon, cumprindo o seu dever de ofício de zelar pelo bom andamento dos trabalhos e pela reputação de integrantes do parlamento, autorizou o departamento jurídico a registrar ocorrência policial, destacando que a agressora deveria estar cumprindo expediente em seu posto de trabalho.
Denúncia de crise fiscal e retaliação
O tumulto ocorreu no momento em que Carmélia da Mata revelava que a diretora da Tesouraria municipal, Luana, foi exonerada após emitir alertas técnicos ao prefeito. Segundo a vereadora, a servidora avisou que o município ultrapassou o limite prudencial da folha de pagamento e que o dinheiro em caixa seria insuficiente para honrar as obrigações de junho.
“O presente que ela recebeu por ser honesta foi a exoneração. Estão pagando pessoas para ficar no WhatsApp desqualificando vereadores enquanto a prefeitura está quebrada”, disparou a parlamentar antes de ser interrompida pelos gritos de Cindy Souza.
Confronto no plenário e contenção
Ao ser ofendida aos gritos de “palhaça” e sofrer gestos de deboche por parte de Cindy Souza que se encontrava na galeria, Carmélia reagiu à tentativa de intimidação:
“Feliz de quem consegue ser um palhaço e levar o sorriso. Você é uma servidora pública que deveria estar fazendo o seu papel no seu horário de trabalho. Me respeite.”
O presidente Yure Ramon interveio energicamente, suspendendo os trabalhos enquanto aguardava a contenção da servidora pela guarda municipal. Yure Ramon ressaltou que não aceitaria o uso de cargos de confiança para descredibilizar o Legislativo e após orientação do setor jurídico da Câmara autorizou registro de Boletim de Ocorrência e desse “parte” (queixa-crime) da agressora na delegacia.
Independência e críticas ao empréstimo
Apesar do incidente, a vereadora reafirmou sua independência e o posicionamento contrário ao empréstimo de R$ 140 milhões sem o detalhamento técnico das obras. Carmélia criticou a gestão pela falta de insumos básicos na saúde, relatando a ausência de tensiômetros na UPA e problemas na alimentação de hospitais, mesmo com uma arrecadação média diária de R$ 3 milhões.
Ao final, as vereadoras Dra. Graça Melo, Delmah Pedra e Teteia Chaves manifestaram solidariedade a Carmélia e à vereadora Beza, também alvo de ataques na sessão, repudiando a misoginia e a violência política em plenário.
Segundo entendimento jurídico, misoginia não é definida pelo gênero de quem pratica a agressão, mas pela reprodução de ataques, humilhações ou tentativas de deslegitimar mulheres em espaços de poder, inclusive quando essas condutas partem de outra mulher.
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