Audiência Pública na Câmara de Barreiras 24042026
Proposta liderada por Rider Castro busca fim da clandestinidade via aplicativos; Delmah Pedra aponta falta de gestão como causa da crise e cobra soluções, presidente Yure Ramon desafia Prefeitura a enviar projeto de lei e denuncia falta de repasses para ônibus; Neidilson Ribeiro (VCB) acusa déficit mensal de R$ 350 mil com gratuidades
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Por iniciativa da Comissão de Planejamento, Urbano, Desenvolvimento Econômico e Transporte – composta pelos vereadores Rider Castro (Presidente), Adriano Stein (Relator) e Zé do Sorvete (Membro) – a Câmara de Barreiras realizou, na manhã desta sexta-feira (24), uma audiência pública decisiva para o setor. O encaminhamento principal foi o estabelecimento de um prazo de até 90 dias para que o Poder Executivo promova a regularização total do sistema, propondo a migração do transporte alternativo para plataformas digitais e o reequilíbrio financeiro das linhas de ônibus.

Ao destacar a arrecadação de R$ 3 milhões por dia, Yure Ramon questiona a ausência de investimentos no transporte e sinaliza apoio legislativo a um projeto que reorganize o sistema sem impacto social
O presidente da Casa, Yure Ramon, subiu o tom contra a gestão municipal, denunciando o abandono de áreas críticas e a falta de investimentos proporcionais à arrecadação.
“Barreiras arrecada R$ 3 milhões por dia e o transporte está jogado às traças. Desafio o prefeito a enviar um projeto para esta Casa agora: se for para organizar o sistema sem prejudicar as famílias, não há um vereador que votará contra”, declarou Yure, alertando para o risco de colapso total caso a prefeitura continue omitindo-se da responsabilidade financeira.
Déficit financeiro e impacto das gratuidades

Sem subsídio e com evasão de passageiros, o sistema entra no vermelho: segundo Neidilson Ribeiro, a VCB acumula déficit mensal de R$ 350 mil enquanto transporta milhares de gratuidades
O representante da Viação Cidade Barreiras (VCB), Neidilson Ribeiro, apresentou dados alarmantes sobre a operação do transporte coletivo. Segundo ele, a empresa transporta mensalmente 70 mil idosos e 80 mil estudantes sem receber qualquer subsídio municipal. O impacto das gratuidades gera um déficit de R$ 350 mil por mês.
“Não temos nada contra os motoristas, mas o transporte clandestino nos pontos finais desequilibra o sistema. Sem esse repasse da prefeitura e com a usurpação de passageiros, fica impossível renovar a frota”, explicou Neidilson.
Foco na gestão e soluções tecnológicas

A vereadora Delmah Pedra defende que o debate sobre transporte deve sair do conflito entre trabalhadores e focar na gestão pública: mais eficiência, regulamentação e uso de tecnologia para garantir segurança a passageiros e taxistas
A vereadora Delmah Pedra enfatizou que o foco do debate não deve ser a briga entre trabalhadores, mas a cobrança por eficiência administrativa.
“O inimigo não é o colega que está ao lado tentando levar o pão para casa; o inimigo é a falta de gestão. Não precisamos inventar a roda, basta aplicar o que já funciona em outras cidades: regulamentar e usar a tecnologia para dar segurança ao passageiro e ao taxista”, defendeu Delmah.

Para Rider Castro, falta decisão política: a solução já existe — diálogo com o prefeito e regularização via aplicativos. O que impede, segundo ele, é a inércia da gestão
O proponente da audiência, vereador Rider Castro, reforçou o papel mediador do Legislativo:
“A solução remediável é o prefeito chamar para uma conversa franca. A melhor saída para os alternativos é a criação de um aplicativo próprio ou a adesão aos existentes, saindo da clandestinidade para a legalidade com o apoio do município”, pontuou Ríder.
Destaques das falas e Participação Popular

- Aziel Júnior (ATAB/Alternativos): Admitiu a irregularidade, mas destacou que representa 80 famílias e que a categoria quer se adequar às normas.
- Marlos Patrick (Ubisca/Apps): Criticou as taxas de alvará abusivas e sugeriu elevar a idade permitida da frota para 15 anos para evitar desemprego.
- Noilvo Gomes (Mototaxistas): Relatou a crise na categoria e a falta de infraestrutura nos pontos de mototáxi.
- Carlos Reis (Sec. Trânsito): Admitiu que a fiscalização existe, mas é limitada por questões de competência jurídica entre secretarias.
Participação Popular e acadêmica

O público trouxe reivindicações urgentes. Elaine Barbosa, servidora pública, denunciou o abandono do Vale da Boa Esperança após a suspensão de ônibus. Pela UFOB, os pesquisadores Ramon e Bruno criticaram a falta de transparência da gestão municipal:
“Falta acesso aos dados de mobilidade. A prefeitura precisa centralizar esse controle e disponibilizar os horários e veículos para consulta pública”.
Já o popular Ronaldo Almeida finalizou pedindo o fortalecimento do transporte coletivo para garantir o direito de estudantes e idosos.
Para encaminhamento, o presidente Yure Ramon, pouco antes de encerrar a Audiência Pública informou que a Câmara redigirá uma ata oficial com as demandas de subsídio para gratuidades, prazos para regularização e exigência de infraestrutura (banheiros e coberturas) para taxistas e mototaxistas, que será encaminhada ao Executivo para providências imediatas.
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