Barril de pólvora em Barreiras Fantasma do Milhão e dívida milionária incendeiam a Câmara
Em sessão de alta voltagem, oposição explode “blindagem” do Executivo com dados de insolvência fiscal e exige transparência sobre R$ 4 milhões devolvidos para obras que seguem sob suspeita
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Câmara Municipal de Barreiras transformou-se, nesta segunda-feira (27), no epicentro de uma crise institucional sem precedentes. Dossiês financeiros e ataques frontais à honra parlamentar ditaram o ritmo de uma sessão histórica, onde o dinamismo da fiscalização prevaleceu sobre a cortesia política. O centro da combustão é o pedido de empréstimo de R$ 140 milhões assinado pelo prefeito Otoniel Teixeira, projeto que agora cambaleia sob o peso de denúncias de “maquiagem contábil” e um suposto “balcão de negócios” que estaria operando nos bastidores.
O estopim: Sangria fiscal e o boato do milhão

Carmélia da Mata eleva o tom na Câmara, expõe passivo de R$ 54,4 milhões e rebate acusações de “balcão de negócios”: “Desafio o prefeito a dizer no meu olho”
A temperatura atingiu o ponto de ebulição quando a vereadora Carmélia da Mata abandonou a retórica para expor as vísceras das contas públicas: um passivo de R$ 54,4 milhões em restos a pagar. Carmélia detonou o que chamou de “fofoca institucional” – o boato de que parlamentares estariam cobrando R$ 1 milhão cada para aprovar o crédito.
“Desafio o prefeito a dizer no meu olho: que dia eu bati na porta dele para pedir favor escuso? Estão tentando criminalizar esta Casa para esconder que o município faliu”, disparou a parlamentar, inflamando o plenário.

Delmah Pedra apresenta diagnóstico alarmante: dívida já supera 103,45% da arrecadação e alerta que Barreiras “come o futuro para pagar o hoje”
A ofensiva técnica foi reforçada pela vereadora Delmah Pedra, que apresentou um diagnóstico sombrio: a dívida de Barreiras já consome 103,45% da arrecadação anual. Delmah fustigou a inércia da gestão em captar recursos federais, afirmando que a cidade “come o futuro para pagar o hoje”.
O clima de insolvência foi personificado no discurso de João Felipe, que classificou o prefeito como “medroso” e “calça frouxa” por utilizar a Justiça para multá-lo em R$ 50 mil caso ouse fiscalizar hospitais. “Podem amordaçar minha presença, mas não cortam minha voz aqui”, fustigou Felipe.
O enigma da ponte e o desrespeito no Plenário

Yuri Ramon cobra explicações sobre R$ 4 milhões destinados à ponte e questiona destino dos recursos: “Onde está o restante do dinheiro?”
O dinamismo da sessão ganhou contornos de investigação quando o presidente Yuri Ramon apresentou o “Enigma da Ponte”. Yure revelou que a Câmara devolveu à Prefeitura mais de R$ 4 milhões carimbados para a obra entre 2021 e 2022, mas apenas R$ 3,1 milhões foram executados em uma construção que se arrasta.
“Onde está o restante do dinheiro? Cadê a transparência?”, questionou o presidente, insinuando que a defesa do governo por alguns colegas pode estar atrelada a “caçambas alugadas” na gestão.

Tatico reage com críticas e comparação ao Estado: cita bilhões em empréstimos da Bahia e acusa “hipocrisia” no debate sobre o crédito em Barreiras
O contra-ataque da base governista, liderado por Tatico, veio carregado de acidez e comparações macroeconômicas. Ao defender o empréstimo, Tatico alegou que o Governo da Bahia já tomou R$ 26,7 bilhões em empréstimos e pleiteia mais R$ 5,5 bilhões, enquanto o sistema de segurança e a regulação estadual colapsam.
“O que funciona bem no Brasil? A regulação estadual mata e as facções tomaram a Bahia. Vejo um pouquinho de hipocrisia aqui. Querem ser justos ou apenas ter o meio copo cheio?”.
A comparação feita pelo parlamentar ganha contornos técnicos em análise do Portal Caso de Política. O texto “O Abismo das Contas Públicas: Enquanto a Bahia preserva folga fiscal de 70%, Barreiras entra em ‘colapso operacional’ com orçamento sequestrado”, retrata exatamente a situação do governo do estado e de Barreiras: enquanto o Estado utiliza o crédito para expansão estratégica com ampla margem fiscal, o município recorre a empréstimos para cobrir um rombo operacional e uma folha de pagamento que saltou R$ 134 milhões, comprometendo 92% do orçamento municipal.

Graça Melo rebate ataque e cobra prioridades: “Não se governa com certificados enquanto falta o básico”, diz ao defender pacientes à espera de atendimento no sistema de saúde municipal
A provocação de Tatico teve como alvo direto a vereadora Graça Melo, que momentos antes havia registrado em sua fala que o município não pode priorizar a entrega de certificados de máquinas pesadas enquanto pacientes esperam meses por um simples hemograma. Graça reagiu com repúdio ao insulto de Tatico:
“Chamar o colega de hipócrita é falta de respeito e de humanidade com o povo que padece. Não se governa com certificados enquanto falta o básico”.
Diante de uma escalada de insultos, o presidente Yure Ramon interveio com autoridade máxima, exigindo respeito e negando sumariamente um aparte a Tatico:
“Vossa excelência me respeite, vereador. Respeite o presidente desta Casa. Não vou conceder a parte a vossa excelência”, sentenciou, cortando a interrupção do governista e determinando à secretaria que registrasse o desrespeito formalmente em ata.
A trégua armada: O caminho para o diálogo

Hipólito propõe diálogo após tensão, mas choque de agendas expõe impasse; sessão termina em trégua frágil sob pressão do “fantasma do milhão”
Em meio ao fogo cruzado, o líder do governo, Hipólito, utilizou um aparte estratégico na fala de Yure Ramon para tentar conter os danos. Em um aceno raro de autocrítica diplomática, Hipólito reconheceu:
“Mesmo com pensamentos diferentes, precisamos sentar para conversar. O prefeito me garantiu que vai reunir com todos para dialogar”. Yure Ramon, embora cético, aceitou o aceno, ironizando a demora de dois anos para tal iniciativa.
O desfecho da voltagem política ocorreu com a confirmação do “dia do juízo”: o líder governista propôs que o prefeito e sua equipe técnica estivessem na Câmara na próxima quarta-feira, às 9h. No entanto, o anúncio carregou uma dose extra de ironia: o vereador Rider Castro prontamente alertou que, no mesmo dia e horário, a Casa já tem agendada uma audiência pública para tratar dos direitos dos cuidadores.
O conflito de agendas para um encontro esperado há mais de dois anos evidenciou o descompasso crônico entre os poderes, mas não impediu o encaminhamento. Entre o “fantasma do milhão” e o colapso do transporte público, a sessão encerrou-se com uma trégua frágil, sinalizando que o empréstimo de R$ 140 milhões não passará sem que cada centavo das contas municipais seja passado a limpo.
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