Caos no transporte em Barreiras Audiência Pública aponta isolamento rural, frota de 17 anos e ameaça de CPI
Em Audiência tensa, vereadores rebatem sugestão de tarifa a R$ 7,00, denunciam abandono de passageiros à noite e cobram responsabilidade direta do prefeito pela crise
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O colapso do transporte coletivo em Barreiras foi o tema central de uma audiência pública exaustiva nesta quarta-feira (29), na Câmara Municipal. Sob o comando do presidente Yure Ramon, o debate revelou um cenário de “morte clínica” do serviço: linhas rurais suspensas há um mês, veículos com quase duas décadas de uso e um impasse financeiro entre a Viação Cidade de Barreiras (VCB) e a gestão municipal. O encontro foi marcado pelo desabafo de cidadãos isolados e pela cobrança incisiva dos parlamentares sobre a omissão do Poder Executivo.
Sociedade Civil relata humilhação e risco à vida
Os depoimentos da população expuseram a face mais dura da crise. Representantes da zona rural, como Joelita Santos e Sebastiana Bispo, relataram que o Cinturão Verde e povoados como Bezerro e Vale da Boa Esperança estão isolados.
“Para chegar à cidade, pagamos R$ 200,00 em carro alternativo. Nossos produtores não conseguem levar as hortaliças para a feira. É um pedido de socorro”, clamou Joelita.
Na área da acessibilidade, os relatos foram de violência. Os senhores Cristiano e Souza (PCDs) denunciaram quedas de cadeirantes e esperas de até quatro horas por elevadores que raramente funcionam.
“Não é só criticar, é sobrevivência. Se o ônibus velho pegar fogo, o cadeirante morre lá dentro”, afirmou Souza.
Pelos estudantes, Melkíria e Matheus Tavares recordaram o incêndio de um ônibus da Linha 15 e denunciaram que o tempo de espera chega a 84 minutos, enquanto o prefeito “criminaliza a luta estudantil com boletins de ocorrência”.
Parlamentares elevam o tom contra a gestão municipal

O vereador Rider Castro comparou o transporte de Barreiras a um paciente na UTI.
“O problema é profundo e não foi tratado lá atrás. Estamos há 30 dias com linhas canceladas e a conversa só vai acontecer semana que vem? O diálogo deveria ser no dia seguinte”, criticou, cobrando celeridade ao secretário Bruno José.
O vereador Rider Castro, presidente da comissão que convocou a audiência, classificou a situação como um colapso iminente, comparando o transporte coletivo a um paciente na UTI. Castro criticou duramente a lentidão do Poder Executivo em mediar o conflito:
“O problema é uma febre que não foi tratada lá atrás e hoje o quadro é gravíssimo. Estamos há 30 dias com linhas canceladas impactando milhares de vidas; se o diálogo era a solução, deveria ter ocorrido no dia seguinte à suspensão, e não 45 dias depois”, pontuou.
O parlamentar enfatizou que o isolamento de comunidades como Rio de Pedras, Campo Erê e Cinturão Verde é inadmissível e propôs a criação de uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público para um plano de ação imediato.
“Não podemos aceitar que as pessoas fiquem sem o direito de ir e vir e ainda sofram sem abrigos, expostas ao sol e à chuva nos pontos de ônibus”, arrematou.

A vereadora Delmah Pedra rebateu categoricamente a justificativa do preço do diesel usada pela empresa e pela prefeitura.
“O governo federal baixou impostos e a Bahia agiu. Falta a prefeitura fiscalizar os postos”, pontuou.
Delmah trouxe uma denúncia grave:
“Recebi relatos de que, no Mucambo, motoristas mandam trabalhadores descerem no meio do caminho à noite se houver poucos passageiros. Isso é desumano e quebra de contrato”.
O embate da tarifa: R$ 7,00 versus a realidade do povo

O secretário de Infraestrutura, Bruno José, alegou que, sem subsídios, o valor técnico da passagem já estaria em R$ 7,00.
A fala foi imediatamente rebatida pelo vereador João Felipe, que chamou a situação de falta de responsabilidade.
“O trabalhador pagando sete reais resolveria o problema? O município perdeu 30 ônibus elétricos gratuitos porque o prefeito disse que não podia subsidiar, mas agora pede empréstimo de 140 milhões”, disparou.
João Felipe confirmou que o subsídio aprovado em 2022 nunca foi pago e anunciou que buscará assinaturas para uma CPI do Transporte.
O presidente Yure Ramon detalhou que a VCB teve um déficit de R$ 164 mil em março apenas com gratuidades não reembolsadas pela prefeitura.
“Barreiras está um caos na saúde, na guarda e no transporte. O prefeito mandou um ofício sugerindo que a Câmara pague o subsídio com seu próprio orçamento. É o poste mijando no cachorro”, criticou Yure, ressaltando a ausência dos vereadores da base do prefeito na sessão.
Ministério Público e a lógica da empresa

O promotor Dr. João Ricardo revelou que a prefeitura ignora pedidos de informação do MP há 50 dias. Ele destacou que a frota majoritária é de 2014, mas existem ônibus de 2009 rodando (15 a 17 anos), violando o limite contratual de 10 anos.
Neidilson Ribeiro (VCB) defendeu que a empresa não tem lucro e que a diretoria injeta recursos externos para manter a operação. Segundo ele, o custo do diesel saltou de R$ 5,62 para R$ 7,63 em meses, tornando linhas rurais insustentáveis sem o apoio do poder concedente.
A audiência contou ainda com as falas de Adriano Stein, que sugeriu o subsídio imediato das linhas rurais, Carmélia da Mata, que exigiu a revisão do contrato, e Zé do Sorvete, que reforçou o papel fiscalizador da comissão.
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